CAMPANHA DE NATAL

De presente de Natal vamos receber uma campanha eleitoral. Já passados os Reis e as janeiras cantadas, eleições. E como nestes cantares do Povo, a música e as letras adivinham-se iguais às de sempre. Parecem servir para um cumprir de aparências, com o único fim de poder proclamar-nos uma democracia formal e pouco mais. Temos o direito a uma escolha votada, mas na prática, a nossa democracia, pouco mais é que isso. Uma legitimação do poder e dos seus abusos. Da sua utilização e distribuição, cada vez menos pelos competentes e muito pelos “parentes”, sejam por afinidade de grupo e de família política ou mesmo de sangue e matrimonio.

Será o conceito formulado por Ibn Khaldun, de “Asabiyya”: “Um espírito corporativo orientado para a obtenção e manutenção do poder. A capacidade de comprar a oposição com esmolas sociais e económicas.”, duradoura no mundo árabe. (História dos Povos Árabes, Albert Hourani. Letras Errantes, junho 2021). Ibn Khaldun pertencia a uma família da Arábia emigrada para a Península Ibérica durante a conquista árabe. Este espírito, tão presente na politica portuguesa, deverá ser herança da prolongada e marcante presença dessa cultura entre nós. Contrariando as formas mais avançadas de democracia, onde progridem os direitos humanos, a liberdade de expressão e a participação do cidadão comum na vida pública. Como diria Vargas-Llosa: a forma de ir defendendo o individuo livre de um inextinguível apelo tribal.

Surgem estas reflexões ao deparar com a evidencia de Portugal estar prestes a ser ultrapassado pela Bulgária nos índices de desenvolvimento socio económico da U.E.. Ou seja, somos o último, o pior. E nada fazemos para sair desse lugar.

As teorias clássicas da Economia (Marx incluído), enumeram três Fatores de Produção: Terra, Capital e Trabalho. As práticas políticas do Portugal recente tendem a fazer do Trabalho uma espécie, socialmente desconsiderada, de alternativa à subsicultura (direta ou indireta) e ao assistencialismo estatal. Imagina o fator Terra como uma paisagem cristalizada onde qualquer atividade produtiva é quase um crime. E pensa o Capital não como motor empreendedor e indutor do desenvolvimento, mas como algo para repartir num espírito de Asabiyya. Aliando-se com quem fizer falta, quando faça falta, onde faça falta e quase sempre em falta. 

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