HABITUEM-SE. HABITUAMO-NOS?

Têm surgido pelo país manif´s e cortes de estradas, espontâneos feitos por agricultores, mimetizando as similares acontecidas por esta Europa fora. Trazendo à tona a insatisfação da classe por muitos motivos. A desconsideração social é o mais profundo. É, também, o que une estes protestos a outros grupos profissionais descontentes, dos policias aos professores, aos médicos, aos funcionários judiciais, aos enfermeiros, enfim, a um vasto etc.. Para além desta transversal desconsideração social, em comum há outro muito significativo ponto de convergência, é o modo como surgem os protestos e quem os lidera e inicia, ultrapassando as associações e sindicatos com anos e anos de vida. São ações desencadeadas por pessoas sem nenhuma ligação ao associativismo socio profissional e sindical. Sintoma inequívoco que este não cumpre a sua função reivindicativa e de defesa das respetivas classes como seria suposto. Daí os movimentos “fora do quadro” ou o aparecer de novos sindicatos. O “velho” associativismo e sindicalismo vive a expensas do Estado (e da U.E.), muitas vezes no âmbito da “transferência de funções”, que nunca totalmente transferidas lhes condicionam a ação, compreensivelmente.

O Estado, o nosso atual Estado, “o estado a que isto chegou”, repetindo Salgueiro Maia há 50 anos, controla ou condiciona estas organizações antigas, que pouco fazem para não ser assim, tal como consegue ter uma influência direta sobre a maioria das estruturas de fazedores de opinião. Toda esta gente acatou o habituem-se.

Tudo e todos á espera do Estado. Uma burocracia que em vez de ser de enquadramento e tecnocrática é o seu inverso, com chefias pouco ou nada sabedoras a tomar decisões não racionais e não tecnicamente suportadas, pelo contrário, tendo por base orientações ideológicas.  Empregos e promoções nunca baseados no mérito, mas sim no favorecimento a todos os níveis. Desde nos ministérios ás CCDRs e demais administrações e serviços regionais , autárquicas, em todas as áreas, gestão de empresas publicas ou de propriedade do Estado., há gente escolhida para funções especializadas sem competências nenhumas, tudo por causa da “confiança politica” e pessoal. Com este Estado também se confundem as organizações socio profissionais, sindicais e associativas, levando ao protesto quem se sente atacado por um e sem a defesa dos outros.

É romântico, mas pode ser perigoso.

Só falta ao Estado controlar a justiça, mas o caminho já começou.

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