Foto: Marcelo Guerreiro

A barragem “começou ontem [domingo] a descarregar, hoje continua a descarregar e deve parar amanhã [terça-feira]”, disse à agência Lusa o diretor-adjunto da Associação de Regantes e Beneficiários de Campilhas e Alto Sado (ARBCAS), Ilídio Martins.

Segundo o responsável, “vai ser uma descarga muito leve, porque parou de chover e não há um rio consistente que consiga abastecer” a barragem.

Segundo os dados divulgados pela associação, com sede em Alvalade, no concelho de Santiago do Cacém, distrito de Setúbal, a albufeira Monte da Rocha registava hoje um volume de armazenamento de 100,1%, equivalente a quase 102,9 milhões de metros cúbicos (m3) de água.

Também as restantes quatro barragens geridas pela associação (Campilhas, Fonte Serne, Migueis e Monte Gato) registavam volumes de armazenamento de 100%.

Nesse âmbito, a ARBCAS está a articular com a Agência Portuguesa do Ambiente a criação de condições para que estas albufeiras possam vir a “encaixar” alguma água nos próximos dias, disse Ilídio Martins.

“Como agora estamos numa fase de enxuga dos terrenos, não convém jogar mais água no meio hídrico. E como não temos nenhuma previsão, pelo menos até o fim do mês, de nenhuma frente nova [de chuva], vamos começar a planear então esse encaixe”, frisou.

A albufeira do Monte da Rocha serve o abastecimento público nos concelhos de Ourique, Almodôvar e Castro Verde, assim como parte dos de Mértola e Odemira, todos no distrito de Beja.

A infraestrutura assegura ainda a rega de cerca de 1.800 hectares (ha) agrícolas nos concelhos de Ourique e Santiago do Cacém, no âmbito do aproveitamento hidroagrícola do Alto Sado.

Há cerca de um ano, em 28 de janeiro de 2025, esta barragem era das que apresentava menor volume de armazenamento de água em Portugal, com apenas 13% da sua capacidade máxima.

De momento, decorrem as obras de ligação do Monte da Rocha ao Alqueva, através da barragem do Roxo, no concelho alentejano de Aljustrel, num investimento de quase 30 milhões de euros lançado em 2024 e que inclui também a criação do Bloco de Rega de Messejana.

Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou no domingo.

 

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