Foto: AMM Mértola Informação

“Estamos com muita atenção, porque, efetivamente, o rio está em níveis poucas vezes visto, mas sem qualquer problema do ponto de vista da salvaguarda de pessoas e bens”, disse à agência Lusa o presidente do município alentejano, Mário Tomé.

Nos últimos dias, a Barragem do Alqueva tem vindo a efetuar descargas de água devido à “persistência de caudais afluentes elevados” provocados pelas chuvas intensas.

A última operação iniciou-se na segunda-feira, com a libertação “de um caudal de descarga inicial de 600 metros cúbicos por segundo (m3/s), que, somado ao caudal turbinado (800 m3/s), perfaz um caudal total lançado de 1.400 m3/s a jusante da barragem”, disse então a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA, gestora do empreendimento.

As descargas no Alqueva, que já tinham sido iniciadas no dia 28 e foram interrompidas após 48 horas, para serem retomadas na segunda-feira, levaram a um aumento do caudal do Guadiana, que atravessa o concelho de Mértola.

De acordo com o presidente da câmara municipal, a subida do nível do rio deixou uma obra municipal concluída recentemente na frente ribeirinha da vila “absolutamente submersa”, assim como o cais onde se realizam as festas de verão locais.

Também a aldeia ribeirinha do Pomarão “está com o rio muito próximo”, indicou Mário Tomé, o que levou a que alguns caravanistas instalados no cais da povoação tenham sido alertados hoje para deixar o local.

“São pessoas que não têm acesso à nossa comunicação e não percebem a dimensão” do que está a acontecer, “mas saíram perfeitamente em segurança”, afiançou o presidente.

Face às previsões de chuva para os próximos dias, o autarca de Mértola assegurou que tudo está a ser acautelado para evitar problemas no concelho.

“Estamos a monitorizar a situação, temos equipas da proteção civil no terreno e estamos em articulação com a EDIA e com a Proteção Civil distrital. Não sentimos problemas de maior no que diz respeito a pessoas e a bens”, assegurou.

Questionado pela Lusa sobre a eventual ativação do plano de emergência municipal, Mário Tomé disse que, “neste momento, tal não se justifica”.

Um total de 10 pessoas morreu desde a semana passada na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco mortes diretamente associadas à passagem da depressão Kristin e a Câmara da Marinha Grande anunciou uma outra vítima mortal, a que se somaram depois quatro óbitos registados por quedas de telhados (durante reparações) ou intoxicação com origem num gerador.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e de estruturas, cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte, em especial linhas ferroviárias, o fecho de escolas e cortes de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal, que provocou algumas centenas de feridos e desalojados.

Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos com mais estragos.

O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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Na minha instrução primária, (já lá vão uns bons anos). Estudamos as serras, os rios, e também as barragens, que segundo informação eram construídas com vários objectivos: rega, produção de energia e também para controlar as inundações! Ora é precisamente isto que não se verifica, antes pelo contrário, ainda agravam mais a situação com estas descargas!!!

Antonio Chorinha

10/02/2026

Mensagem bem ilucidativa

Eduardo Vieira

06/02/2026

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