Mais de 1.800 explorações afetadas e 37.000 ovinos mortos devido à língua azul
O vírus da língua azul já matou mais de 37.000 ovinos e afetou 1.800 explorações, num total de 118.607 infetados, segundo dados da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) enviados à Lusa.
Contabilizam-se, até agora, 118.607 ovinos infetados pela doença da língua azul, adiantou a DGAV à Lusa.
Estes dados refletem apenas as notificações recebidas por esta direção-geral, pelo que os números podem ser ainda superiores.
O número de ovinos mortos está em 37.395 e o das explorações em 1.834.
O Governo financiou 385.050 doses de vacina contra o serotipo três do vírus da língua azul, num montante que ultrapassa os 982.318 euros, sobretudo para os distritos de Portalegre, Évora, Beja e Castelo Branco, segundo dados enviados à Lusa.
“Com a autorização da vacinação voluntária no final de setembro de 2024, a adesão foi significativa. Até ao momento, foram financiados todos os pedidos efetuados até 31 de dezembro e que correspondem a 385.050 doses de vacina, num montante total de 982.318,62 euros”, adiantou o Ministério da Agricultura, numa nota enviada à Lusa.
A execução financeira da subvenção atribuída está em 97,6%.
Para financiar a vacinação, o Governo alocou um milhão de euros, no ano passado, às organizações de produtores.
No total, os custos da aquisição da vacina contra o serotipo três da língua azul foram pagos a 34 organizações.
Em dezembro de 2024, o parlamento aprovou um projeto de resolução do PS para uma campanha de vacinação contra a doença da língua azul.
A iniciativa, aprovada com os votos a favor do PS, BE, PCP, Livre e PAN, a abstenção do Chega e o voto contra do PSD, IL e CDS-PP, recomenda ainda ao Governo que avance com medidas de apoio financeiro aos agricultores para fazer face aos prejuízos causados pela doença.
No mesmo mês, foi detetado o serotipo oito do vírus da língua azul em bovinos no distrito de Portalegre.
Portugal continental foi afetado pelos serotipos três e quatro do vírus da língua azul desde outubro. Os Açores e a Madeira estão livres desta doença.
A vacinação dos ovinos reprodutores adultos e dos jovens destinados à reprodução, bem como dos bovinos, é obrigatória contra os serotipos um e quatro do vírus da língua azul.
Contra os serotipos três e oito é permitida a vacinação dos bovinos e ovinos do continente.
Mediante uma autorização prévia da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), é ainda possível vacinar, a título excecional, com vacinas inativadas contra serotipos da língua azul, não presentes em Portugal.
A vacinação obrigatória é fornecida pela DGAV às Organizações de Produtores Pecuários para a Sanidade Animal (OPSA).
O Governo vai ainda lançar um plano de desinsetização a partir de março, com uma duração de oito meses, para combater a doença, transmitida por mosquitos.
A febre catarral ovina ou língua azul é uma doença viral, de notificação obrigatória, que afeta os ruminantes e não é transmissível a humanos.
Em Portugal estavam a circular três serotipos de língua azul, nomeadamente o BTV-4, que surgiu, pela primeira vez em 2004 e foi novamente detetado em 2013 e 2023, o BTV-1, identificado em 2007, com surtos até 2021, e o BTV-3, detetado, pela primeira vez, em 13 de setembro.
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