Jorge Serafim apresenta “À Sombra da Angústia” na Biblioteca de Beja
A Biblioteca Municipal José Saramago, em Beja recebe, esta tarde, a apresentação do livro “À Sombra da Angústia” da autoria de Jorge Serafim. A apresentação a cargo de Galopim de Carvalho tem início marcado para as 16.30 horas.
Galopim de Carvalho na sua página de facebook afirma que "em muitos, mas muitos aspetos, revi-me nesta obra de Jorge Serafim. Assim como o personagem que assume o papel de narrador, já passei a meta dos noventa e a outra “gota de água” que me acrescenta, há quase setenta anos, também. Também vimos partir os filhos, a caminho das suas próprias vidas. Em nós, a angústia do vazio que nos deixaram não é tão amarga, porque eles andam por perto. Também por cá, o estendal da roupa tem mais arame desocupado, há menos pratos e menos talheres na mesa.
Revejo-me apenas em muito do conteúdo, porque, na forma, estou a léguas do autor. Jorge Serafim respira e transpira poesia por todos os poros. Ele envolve a prosa e a poesia no mesmo abraço. Muitas passagens do seu discurso são poemas, em que as frases têm o ritmo e o sabor de versos."
SINOPSE do livro "À Sombra da Angústia”:
Uma casa de família esvazia com o passar do tempo. Tudo vai
sobrando. O gerúndio é o crescimento em movimento. Sobram pratos, roupas de
cama, divisões e silêncio demorado. As memórias assentam praça nos lugares mais
recônditos do corpo. Um casal partilhando a vida em conjunto há cerca de
setenta anos, para combater a ausência que os transtorna, multiplica as
recordações na janela da marquise onde passam muitas horas sentados enfrentando
o vazio que os assola.
Como a Lenda da cidade de Beja, em que um touro foi envenenado para combater
uma cobra monstruosa, assim se transverte a vida. O medo transforma-se em
superstição, a ausência em recordação. O rumo que cada um segue é um percurso
feito de sonho, sentimento, desilusão e paixão. Ver partir é contrabalançar o
desenrolar da existência com as angústias do coração mãe e do coração pai.
Neste entrançar de histórias coletivas caminhadas individualmente, é no afeto
que permanece a palavra família. Envelhecemos para dar sentido ao estendal
despido de roupa, à porta da rua que pouco abre, às palavras que ficaram por
dizer e aos abraços que ficaram por abraçar.
É no regresso que a solidão esmorece e o amanhã não tem medo de existir.
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