Bispo emérito de Beja António Vitalino Dantas morre aos 84 anos
O bispo emérito de Beja, António Vitalino Dantas, de 84 anos, morreu hoje de madrugada no hospital de Braga, onde estava internado, vítima de doença prolongada, revelou o bispo de Beja, Fernando Paiva.
Em declarações à agência Lusa, Fernando Paiva manifestou o seu pesar pela “partida deste grande pastor da Diocese de Beja” e gratidão pelo “serviço que prestou à diocese e à Igreja” Católica.
“Há um sentimento de perda, por um lado, e de esperança na vida eterna e de gratidão pelo muito que este pastor fez pela diocese e pela Igreja”, sublinhou o bispo de Beja.
Num comunicado publicado hoje na sua página de Facebook, a Diocese de Beja revelou que as exéquias vão decorrer no sábado, em Parada de Gatim, concelho de Vila Verde, distrito de Braga.
O bispo de Beja vai presidir à missa, às 16:00, na Igreja Matriz de Parada de Gatim, seguindo depois o funeral para o cemitério dessa localidade.
António Vitalino Dantas “nasceu em Santa Marinha de Oleiros”, também no concelho de Vila Verde, em 03 de novembro de 1941, mas, “com apenas 5 anos, foi viver para Parada de Gatim”, sede da freguesia vizinha e onde cresceu e residia, explicou à Lusa Fernando Paiva.
Em 03 de agosto de 1968, foi ordenado sacerdote da Ordem do Carmo e, em 1996, bispo-auxiliar do Patriarcado de Lisboa, onde esteve até 1999. Em 25 de janeiro desse ano, foi nomeado bispo de Beja, funções que assumiu a 11 de abril, sucedendo a Manuel Falcão.
Vitalino Dantas foi o 16.º bispo de Beja, desde a restauração da diocese, permanecendo no cargo até 2016, quando foi substituído por João Marcos, que assumiu a diocese alentejana, onde já era bispo-coadjutor, no dia 03 de novembro.
Nesse dia, ao abrigo do direito canónico, o Papa Francisco aceitou a resignação do cargo pedida por António Vitalino Dantas, ao completar 75 anos.
De acordo com a nota biográfica publicada na página de Internet da Diocese de Beja, durante o seu pontificado, Vitalino Dantas “promulgou alguns decretos importantes para a vida da diocese”.
Do ponto de vista administrativo, “foram atualizados os estatutos dos Conselhos Presbiterial e Pastoral diocesanos, o Estatuto e o Regulamento do Colégio dos Consultores, a passagem do Fundo Comum do Clero, criado pelo seu antecessor, a Fundação Pax”, pode ler-se.
Teve também “um papel importante na informatização dos serviços da diocese e, em particular da Cúria”.
“Foi durante o seu governo, nos anos de 2014-2015, que a Catedral de Beja foi alvo de profundas campanhas de restauro”, assinalou igualmente a diocese, entre outros temas, na nota biográfica.
Em 03 de novembro de 2016, em entrevista à Lusa, o então bispo emérito garantiu que, durante o seu ministério episcopal, sempre se entregou "com todas as suas forças" à Diocese de Beja, mas "nem sempre" conseguiu realizar os seus sonhos e projetos.
Vitalino Dantas contou à Lusa que, "desde a primeira hora" e tendo em conta todo o trabalho apostólico realizado pelo seu antecessor, Manuel Falcão, percebeu que "a evangelização é uma missão contínua".
Também em declarações à Lusa, nesse mesmo dia, o seu sucessor, João Marcos, afiançou ter sido testemunha do “grande amor” de Vitalino Dantas “pelos diocesanos e pelo clero, da sua grande capacidade de trabalho e da sua dedicação sem limites a esta Igreja de Beja”.
António Vitalino Dantas “imprimiu a sua imagem de pastor inteligente e bom no coração de muitas pessoas e instituições", realçou também na altura o 17.º bispo de Beja.
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