No discurso proferido após a confirmação da vitória, Seguro sublinhou que será um Presidente “livre” e “sem amarras”, numa mensagem dirigida tanto aos seus apoiantes como aos eleitores que não votaram em si. “Sou livre. Vivo sem amarras”, afirmou, numa declaração que procurou marcar distância face a lógicas partidárias estritas e sinalizar um mandato de equilíbrio institucional, num contexto político fortemente polarizado.

O novo Presidente destacou o caráter transversal do apoio obtido, lembrando que venceu os 18 distritos do continente e as duas regiões autónomas, conquistando 303 concelhos e mais de 2.900 freguesias. Para Seguro, este resultado representa “um mandato claro do país inteiro” e uma responsabilidade acrescida na defesa da Constituição, do diálogo democrático e da estabilidade política.

No centro do discurso esteve também a ideia de reconciliação nacional. Sem referências diretas ao adversário, Seguro falou de “um Portugal que não se revê no ruído, no insulto ou na divisão permanente”, defendendo que o papel do Presidente deve ser o de “moderador, garante e ponto de encontro” entre diferentes sensibilidades políticas e sociais.

A dimensão do triunfo eleitoral reforçou essa leitura política. Em relação à primeira volta, realizada há três semanas, António José Seguro aumentou a sua votação em mais de 1,7 milhões de votos, mais do que duplicando o resultado inicial e alcançando 3.482.481 votos. Já André Ventura cresceu cerca de 413 mil votos, um aumento de aproximadamente 31%, insuficiente para disputar o desfecho da eleição.

Sem triunfalismos excessivos, Seguro encerrou o discurso com um compromisso institucional: “Serei Presidente de todos, sem exceção”. Uma frase que resume a linha que procurou traçar para o seu mandato, independência face aos partidos, respeito pelo pluralismo democrático e uma Presidência assumidamente moderadora num sistema político sob forte tensão.

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