GEOGRAFIA EUROPEIA

“Os conflitos internacionais e as guerras civis, só podem ser entendidos tendo em conta as esperanças, os medos e os preconceitos resultantes da Historia e estes, por seu turno, são determinados pelo meio físico em que os indivíduos, as sociedades e os países se desenvolveram, a Geografia.”(Sir Jonh Scarlett, Director MI6 – serviço de informações secretas britânico, entre 2004 – 2009.

“Ucraina ná ista.”, repetia Olga, emigrante ucraniana em Beja logo após o desmantelar da URSS, cada vez que se deparava com coisas para nós banais e para ela novidades. Olga que era uma professora de História reconvertida em empregada doméstica. Diria a mesma frase ao avistar uma qualquer cadeia montanhosa. Na Ucrânia não existem. Desde os Cárpatos, mais a Sul, na Roménia até aos Montes Urais (final da Europa, início da Ásia) passando por Moscovo, é uma planície sem obstáculos. A Grande Planície do Norte Europeu sempre foi o território ideal como ponto de partida dos ataques à Rússia, principalmente através da Polonia (Lviv, cidade ucraniana onde se concentram a maioria dos que fogem à invasão russa atual, já foi uma cidade polaca). As ausências de montanhas facilitam as incursões militares invasivas da Rússia, ou da URSS, mas as distâncias para as linhas de abastecimento, atravessando a Ucrânia são insustentavelmente longas, o que foi fatal para Napoleão em 1812 e para Hitler em 1941.

Um governo pró-russo em Kiev é uma certeza de contar com uma zona tampão para defesa do império russo.

Ao passar para o povo  ucraniano “ A visão otimista que a U.E. e mesmo os E.U.A. estavam prontos para receber a Ucrânia no mundo democrático como membro pleno das suas instituições liberais e do Estado de Direito e que Moscovo pouco poderia fazer quanto a isso, é não ter em conta que a Geopolítica ainda existe no Séc. XXI, nem de que a Rússia não se rege pelo Estado de Direito.” Tim Marshal in “Prisioneiros da Geografia”, Edições Saída de Emergência, 2017 (original inglês em 2015).

Este erro dos governos e diplomacias ocidentais europeias e americanas está na origem da criminosa, mas mais que previsível invasão russa.

Já Wiston Churchill declarava: “Estou convencido que não há nada que a Rússia admire tanto como a força. E de que não há nada que respeitem menos que a fraqueza, especialmente a fraqueza militar.”

Como iriam os russos ter em consideração esta Europa fraca? Sem exército e defesa própria, quixotescamente promotora / inventora de males “dizimadores” dos Homens, perdão, dos seus habitantes. Apavorada com aquecimentos climáticos, enquanto tem a bater á porta a ameaça, real, de um ataque nuclear? Muito preocupada em descarbonizar, enquanto lhe cortam o fornecimento de energia? Muito ocupada em reduzir ou eliminar a produção agrícola, enquanto lhe podem interromper o fluxo de administração de alimentos?

Muito solidária nas palavras e votos de ocasião, enquanto deseja no seu íntimo que Putin tome a Ucrânia rapidamente, para voltar ao viver de antes. Até que um dia se acabe…

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