Venezuela/Sismo: Seguro elogia "bravura" de equipa portuguesa que esteve em missão
O Presidente da República deu hoje as boas-vindas "no regresso a casa" aos 64 operacionais que estiveram em missão na Venezuela após os sismos, realçando que Portugal está orgulhoso "pela missão que desenvolveram".
Foto: Presidência da República
"Dar-vos as boas-vindas no regresso a casa, expressar o nosso orgulho pela missão que desenvolveram e também o nosso agradecimento pela forma como o fizeram", disse António José Seguro no discurso de receção da Força Operacional Conjunta (FOCON).
A equipa portuguesa que apoiou operações de busca e salvamento na região de La Guaira, uma das mais afetadas pelos dois sismos devastadores que atingiram a Venezuela, aterrou hoje na Base Aérea n.º 11 em Beja.
O chefe de Estado realçou que o trabalho da FOCON marcou não só "as pessoas que beneficiaram da ajuda", "o povo venezuelano", "os portugueses que vivem na Venezuela" e "os lusodescendentes", como também serviu de exemplo de "esperança num mundo onde todos os dias temos notícias negativas" e que "atentam muito contra a dignidade humana".
"A vossa expressão de humanismo, a vossa expressão de solidariedade, é um exemplo de como o mundo precisa dessa solidariedade e humanidade. Levaram o melhor que o país tem, [isto é], coragem, competência e essa solidariedade [para] conseguirem ajudar muitas pessoas que precisavam num momento difícil", disse.
Na sua intervenção, sem perguntas dos jornalistas, António José Seguro recordou Hernán Gil, o homem resgatado após oito dias preso nos escombros pela equipa portuguesa, afirmando que este foi salvo "graças à bravura, coragem e determinação" desta força especial.
"Ele ficará sempre grato ao vosso trabalho à vossa solidariedade e nós ficaremos sempre com essa marca no coração de mulheres e homens que deram o seu melhor, também com a ajuda dos nossos cães, para salvar vidas", afirmou.
O Presidente da República deixou, ainda, uma palavra às famílias dos elementos que integraram a comitiva portuguesa na Venezuela que "muitas vezes com o coração pequenino" ficaram "à espera de notícias".
Por fim, António José Seguro referiu que esta missão permitiu mostrar que se ao juntarmos "talento" e "bravura" há "sempre bons resultados".
"Uma palavra para terminar ao Governo português que coordenou todo este processo de ajuda e de resposta com uma grande rapidez [e] que foi reconhecida pelas autoridades e pelo governo da Venezuela", assumiu.
A equipa portuguesa integrou "operacionais da estrutura de Comando e da Força Especial de Proteção Civil da ANEPC, do Regimento de Sapadores Bombeiros (RSB) de Lisboa e do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e da Guarda Nacional Republicana (GNR), bem como seis cães de busca e salvamento".
Os sismos registados na Venezuela em 24 de junho causaram pelo menos 3.899 mortos e 16.740 feridos, segundo o mais recente balanço oficial.
Entre os mortos, há pelo menos 104 portugueses e lusodescendentes, e outros 57 estão desaparecidos ou incontactáveis.
Vários países, incluindo Portugal e outros Estados da União Europeia, enviaram equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
A base de operações da missão portuguesa de resposta aos sismos esteve sediada em Catia la Mar, em La Guaira, zona de grande concentração de portugueses e lusodescendentes e uma das mais afetadas.
Os sismos de magnitude 7,2 e 7,5 ocorreram a 200 quilómetros de Caracas, com menos de um minuto de intervalo, e foram seguidos por centenas de réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
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