A sessão contou com a participação do diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues, e do vice-presidente da CCDR Alentejo para a Cultura, Henrique Sim-Sim, reunindo ainda autarcas e representantes de instituições culturais e de ensino da região.

O encontro teve como objetivo apresentar aos agentes do território as condições e objetivos do concurso para a criação da Orquestra Regional do Alentejo e esclarecer dúvidas sobre o modelo previsto para a futura estrutura.

Foi neste contexto que a Universidade de Évora voltou a manifestar a sua disponibilidade para assumir a liderança de uma candidatura.

António Sáez Delgado revelou que a instituição já está a desenvolver trabalho nesse sentido, procurando construir um projeto de dimensão efetivamente regional e estabelecer as parcerias necessárias à apresentação da candidatura.

A manifestação da Universidade de Évora assume particular relevância por ser, até agora, a única intenção de candidatura publicamente conhecida, embora o concurso permaneça aberto à apresentação de outros projetos que cumpram as condições estabelecidas pela DGARTES.

O concurso dispõe de um montante financeiro global de 1,62 milhões de euros, repartido pelos anos de 2027 e 2028, com uma dotação de 810 mil euros em cada ano.

Durante a sessão, o diretor-geral das Artes, Américo Rodrigues, apresentou o enquadramento do concurso e esclareceu os representantes das instituições sobre os objetivos, condições de acesso, financiamento e modelo previsto para a nova estrutura orquestral.

Entre os representantes autárquicos, o presidente da CIMBAL, António José Brito, manifestou preocupação com o apertado calendário do concurso, considerando que os prazos existentes dificultam o papel dos municípios na análise da proposta e na definição de uma posição sobre a sua eventual participação.

Também o presidente da Câmara Municipal de Moura, Álvaro Azedo, levantou reservas, sobretudo relacionadas com a sustentabilidade financeira futura da orquestra e com os encargos que uma estrutura desta natureza poderá representar para as contas municipais.

O autarca anunciou que irá analisar a questão com o executivo municipal e reunir com as quatro bandas filarmónicas do concelho antes de tomar uma decisão sobre o eventual envolvimento de Moura.

Álvaro Azedo admitiu ponderar o apoio ao projeto, mas deixou uma condição clara: qualquer participação do município não poderá significar “retirar um euro que seja” dos apoios concedidos às bandas filarmónicas e ao Conservatório Regional do Baixo Alentejo.

Vítor Picado, em representação do Município de Beja, assegurou que a autarquia está a acompanhar o processo e que não deixará de se associar ao projeto da Orquestra Regional do Alentejo.

Também a Universidade Politécnica de Beja e o Conservatório Regional do Baixo Alentejo acolheram positivamente a iniciativa e manifestaram disponibilidade para dialogar com a Universidade de Évora sobre a candidatura que está a ser preparada e sobre as possibilidades de participação das duas instituições.

As intervenções realizadas durante a sessão evidenciaram, contudo, que o debate em torno da futura orquestra ultrapassa a apresentação de uma candidatura, colocando questões relacionadas com o modelo de governação, representatividade territorial, sustentabilidade financeira e articulação com as estruturas de ensino e prática musical já existentes no Alentejo.

Com a Universidade de Évora a posicionar-se para liderar uma candidatura e a procurar parceiros no território, caberá agora aos municípios e restantes instituições decidir se pretendem integrar o projeto e em que condições, num processo condicionado pelo calendário definido para o concurso.

A encerrar a sessão, o vice-presidente da CCDR Alentejo para a Cultura, Henrique Sim-Sim, procurou colocar a discussão num plano pragmático, defendendo que a criação da nova estrutura é um processo que irá avançar.

“A Orquestra Regional do Alentejo vai mesmo acontecer”, afirmou, considerando que, perante essa realidade, existem duas formas de abordar o processo: “uma é estar dentro, acompanhar o desenvolvimento do projeto e tentar melhorá-lo; a outra é ficar de fora e ficar a ver acontecer”.

 

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