A solução Xloora foi desenvolvida pela ‘spin-off’ tecnológica XpectralTEK, sediada em Braga e, atualmente, há 97 hectares de vinha monitorizados e geridos pela nova tecnologia nas zonas do Minho, Oeste, Alentejo e Douro.

António Cardoso, diretor executivo (CEO) da empresa XpectralTEK afirmou à agência Lusa que esta ferramenta foi desenvolvida a “pensar nos viticultores” e numa forma de os ajudar “na melhor gestão do seu dia-a-dia nas vinhas e igualmente na poupança de recursos financeiros”.

A solução Xloora trabalha com vetores importantes para “qualquer tipo de gestão agrícola” e permite, segundo exemplificou, identificar doenças que possam existir na videira, mas também ajuda a prevenir potenciais doenças ou pragas na vinha e até deteta carências nutricionais ou hídricas.

“A questão da água neste momento, com a alteração climática, é uma condicionante crítica e trabalhamos a água para realmente ajudar o agricultor a perceber quando deve aplicar a água, de que forma deve aplicar a água e em que zona deve aplicar a água”, especificou.

A solução tecnológica baseia-se em imagem multiespectral e em inteligência artificial.

António Cardoso explicou que a ferramenta inclui a colocação de sensores no terreno que “em tempo real” recolhem dados atmosféricos, climatéricos, humidade do solo, vento, pluviosidade, e que debitam constantemente esses dados para a plataforma tecnológica.

Há também, acrescentou, outras ferramentas como um leitor de folhas que permite ler vários tipos de informação multiespetral de cada uma das folhas da planta.

“E tudo isso está a ser constantemente debitado para essa plataforma inteligente que processa e mostra e alerta e comunica com o utilizador final”, frisou.

E é com base na informação recolhida que o viticultor vai poder agir mais rapidamente, realizar tratamentos ou aplicar fertilizantes ou regar a planta.

Mas, segundo o responsável, a ferramenta permita também antecipar cenários, através de alertas ‘standards’ ou pré-construídos pelo utilizador que ajudam a perceber o que se poderá passar num período de mais ou menos 10 dias.

“Também pode dizer que daqui a dois dias vai chover o suficiente para a planta se alimentar (…). Toda essa realidade é gerida, hoje em dia, pela Xloora”, apontou.

A tecnologia é 100% portuguesa e, segundo António Cardoso, está já a ser aplicada em Inglaterra, havendo também contactos para começar a trabalhar em França.

O responsável adiantou que esta solução está a ser também trabalhada e validada para a oliveira, ainda para as bagas (como exemplo mirtilos ou morangos) e na gestão de cerealíferos (trigo, cevada).


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