Seca: Autarca de Almodôvar admite cortes de água no inverno se não chover
O presidente da Câmara de Almodôvar, António Bota, admitiu hoje que, se não chover “em setembro/outubro”, poderão ser feitos cortes no abastecimento público de água no concelho “nos meses de inverno”, devido à seca.
Foto: Justino Engana
“Estamos preocupadíssimos com a seca, [mas por agora] não há cortes de água”, disse à agência Lusa o autarca de Almodôvar, admitindo, contudo, que esse “será o próximo passo, caso a situação se venha a agravar”.
O concelho é abastecido pela Barragem do Monte da Rocha, no vizinho concelho de Ourique e uma das albufeiras em situação mais complicada devido à seca, mas, por enquanto, existe “água suficiente para abastecer a população”.
“No caso de não chover em setembro/outubro, eventualmente, nos meses de inverno, teremos de estar a proceder a alguns cortes mais significativos”, admitiu António Bota (PS).
O autarca avisou que, se for preciso, irá avançar com “medidas drásticas” como essa, “precisamente para que as pessoas tenham este choque” e se apercebam de que, de facto, existem “graves problemas de água”.
No início deste mês, a Câmara de Almodôvar divulgou também uma informação à população, assinada por António Bota, em que indica um conjunto de poços e furos públicos no concelho que não são utilizados para consumo humano, sugerindo que sejam usados para retirar água para abeberamento animal.
“Temos que poupar e evitar consumir água, mas sabemos que é quase impossível que qualquer agricultor ou pecuário tenha os animais e não lhes dê de beber e, muitas vezes, tem que utilizar água da rede pública, porque as barragens e as pequenas represas vão secando”, afirmou o autarca.
Por isso, o município disponibilizou “todos os poços e furos públicos que não têm tiragem de água para controlo de qualidade e desinfeção para consumo humano”, e solicitou aos agricultores que os usem.
“Em vez de usarem a água das torneiras para encherem os tanques e os depósitos de água de abeberamento de animais, que o façam a partir destes poços e furos de água não controlada”, sugeriu.
Em simultâneo, a câmara está a recorrer a estas fontes alternativas: “Estamos a utilizar a água de alguns poços que estão próximos dos jardins para rega desses jardins e, naturalmente, estamos numa contenção muito grande em relação à rega de espaços públicos.”
Os poços e furos de antigamente, visto que têm água não tratada, ganham de novo, agora, uma função.
“Podem ter uma utilidade muito grande. A sua água estava parada e, ao ser retirada para o abeberamento animal, é renovada e ajudam ainda a poupar água das torneiras que pode ser consumida em casa”, frisou António Bota.
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