Ricardo Pinheiro avança para a presidência da CCDR Alentejo com apoio do PS e PSD; Aníbal Costa recandidata-se à vice-presidência
O ex-deputado socialista Ricardo Pinheiro revelou que conta com o apoio do PS e do PSD para se candidatar à presidência da CCDR Alentejo, num processo que se encontra ainda em fase de formalização. O organismo é atualmente presidido por António Ceia da Silva.
Em declarações, Ricardo Pinheiro explicou estar a preparar a documentação necessária para avançar com a candidatura, sublinhando que houve um entendimento entre os dois maiores partidos para apoiar um perfil capaz de imprimir maior dinamismo à região, em alinhamento com os objetivos nacionais e europeus. Defendeu ainda que a liderança da CCDR deve assentar numa “absoluta proximidade ao território” e numa visão integrada do Alentejo enquanto NUT II, garantindo tratamento igualitário às várias NUT III.
O percurso do candidato inclui a presidência da Câmara Municipal de Campo Maior entre 2009 e 2019, a liderança da CIMAA e funções como secretário de Estado do Planeamento no XXII Governo. Entre as prioridades apontadas estão a aceleração da execução dos fundos comunitários, tanto no setor público como empresarial, e a dinamização de áreas estruturantes como saúde, energia, educação, ambiente, agricultura e cultura.
Paralelamente, Aníbal Reis Costa, um dos atuais cinco vice-presidentes da CCDR Alentejo e o único eleito diretamente pelos presidentes de câmara, confirmou a recandidatura ao cargo. Indicado pelos autarcas, Aníbal Costa anunciou que irá formalizar a candidatura junto da Direção-Geral das Autarquias Locais. Licenciado em Gestão e Administração Pública pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, foi presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo entre 2005 e 2017, sendo a sua recandidatura apresentada como um fator de continuidade institucional e de representação direta dos municípios na estrutura de decisão regional.
Contudo, o entendimento político alcançado entre as direções nacionais do PS e do PSD não é consensual dentro do próprio Partido Socialista. Enquanto a federação distrital de Portalegre manifesta apoio à solução encontrada, a federação de Évora expressou forte desagrado com a forma como o processo foi conduzido a partir de Lisboa. O presidente da federação de Évora do PS, Luís Dias, criticou o que considera ser uma decisão tomada pelas “cúpulas nacionais”, colocando em causa a autonomia das CCDR e esvaziando o papel dos autarcas. Para Luís Dias, independentemente dos nomes propostos, o acordo entre PS e PSD transforma o processo numa lógica de nomeação e não de verdadeira eleição, fragilizando a autonomia regional. Ainda assim, a federação de Évora apelou à participação dos autarcas no ato eleitoral, defendendo simultaneamente que estes possam votar livremente.
O prazo para apresentação de candidaturas às eleições indiretas das CCDR, marcadas para 12 de janeiro, termina às 23h59 desta terça-feira. Ao contrário do que sucedeu em anteriores atos eleitorais, o colégio eleitoral será agora mais alargado, integrando todos os eleitos locais da região, o que reforça o peso político e territorial da escolha da futura liderança da CCDR Alentejo.
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