Residência de Estudantes do IPBeja vazia cinco meses depois da inauguração. BE pede esclarecimentos ao governo
A nova residência para estudantes do Instituto Politécnico de Beja (IPBeja) continua vazia cinco meses depois da sua inauguração. A afirmação é feita em nota de imprensa, pelo Bloco de Esquerda que já questionou o ministro da Educação, Ciência e Inovação sobre esta situação.
De acordo com o BE, “o problema reside na profunda discrepância entre o discurso político e a realidade constatada no terreno. Passados cinco meses desde que as fitas foram cortadas perante as câmaras de televisão, a "Residência Europa" continua a ser um edifício fantasma, sem um único estudante alojado” e acrescenta que “a inauguração apressada, que serviu propósitos de calendário eleitoral, não correspondeu à entrega de um equipamento pronto a funcionar.
Ainda segundo o BE, “é hoje do conhecimento público que a infraestrutura ainda carece de trabalhos fundamentais para a sua habitabilidade, nomeadamente no que diz respeito às ligações elétricas e à rede de comunicações.”
Para o BE, “esta situação é agravada pelo facto de o IPBeja enfrentar uma crise de procura sem precedentes” uma vez que “no último concurso nacional de acesso, centenas de vagas em licenciaturas estruturantes ficaram por preencher, com cursos nas áreas da Agronomia e Engenharia de Alimentos a registarem zero entradas em determinadas fases.”
Como justifica o Ministério que uma residência inaugurada com pompa e circunstância em setembro de 2025, com a presença do Primeiro-Ministro, continue cinco meses depois sem qualquer estudante alojado, qual é a data definitiva e garantida para a entrada em funcionamento da "Residência Europa" e para o início do alojamento dos estudantes e que diligências concretas foram tomadas junto da E-Redes para acelerar as ligações elétricas necessárias ao pleno funcionamento do equipamento são perguntas que o deputado bloquista Fabian Figueiredo dirigiu ao ministro da Educação, Ciência e Inovação.
O deputado quer ainda saber se o Ministério confirma que a inauguração ocorreu antes de estarem garantidas as condições mínimas de habitabilidade, como o fornecimento de energia e comunicações e perante o cenário de baixa procura em diversos cursos do IPBeja, que medidas planeia o Governo adotar para articular a oferta habitacional agora criada com uma estratégia de revitalização do Ensino Superior no interior do país.
A nova Residência do IPBeja foi projetada para acolher cerca de 500 pessoas entre estudantes, docentes e investigadores, representa um investimento público considerável de aproximadamente 22 milhões de euros, integralmente financiado por fundos europeus. A relevância deste projeto para a região do Baixo Alentejo e para a coesão territorial do país é inegável, especialmente num momento em que as instituições do interior lutam para atrair e fixar estudantes perante a crescente concentração de vagas no litoral.
