Foto: O ATUAL

“A reposição destes estragos é também uma prioridade e tem de ser uma prioridade da Água que Une”, assinalou o presidente da EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva, José Pedro Salema, que falava, em Lisboa, na iniciativa “Água que Une: O primeiro ano e próximos passos”, organizada pela CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal.

José Pedro Salema apontou que muitos sistemas estão incapacitados de realizar uma campanha de rega este ano.

“Se há uma rutura no canal, é como na A1, o condutor não passa, a água não passa”, exemplificou.

O presidente da EDIA disse que já foi lançado pelo Governo um aviso para a reposição destes canais, mas lembrou que existem estruturas afetadas, desde o Mondego ao Lis, passando pelo Mira.

A estas somam-se estruturas tidas como menos prioritárias, mas cujos prejuízos representam muito dinheiro.

“Vamos ter de fazer um esforço enorme para fazer as obras o mais rapidamente possível para que, no próximo inverno, se não for antes, termos tudo regularizado”, acrescentou.

Contudo, sublinhou que “nem tudo foi mau”, uma vez que as cheias trouxeram também “uma segurança enorme” no que diz respeito às barragens do país, que ficaram cheias.

Ainda assim, ressalvou que não é por haver “um descanso” no que diz respeito ao abastecimento de água, que se deve “aliviar o interesse” pelo tema.

“Se ganhámos algum tempo, alguns anos seguramente, não podemos perder o foco”, notou.

A estratégia “Água que Une” conta com quase 300 medidas para a gestão eficiente dos recursos hídricos, algumas das quais a implementar até 2050, como a construção de novas barragens, a redução de perdas nos diferentes sistemas e a interligação de bacias hidrográficas.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

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