PCP Apresenta Prioridade para o Orçamento do Estado de 2026 no Distrito de Beja
O Partido Comunista Português apresentou ontem um conjunto de propostas para a discussão do Orçamento do Estado para 2026, centradas em intervenções consideradas estruturantes para o distrito de Beja. José Maria Pós de Mina, membro do Comité Central do PCP, assumiu a apresentação das prioridades, sublinhando que a proposta orçamental do Governo “não dá resposta aos problemas existentes”, reafirmando a falta de vontade política demonstrada por sucessivos executivos do PSD, CDS e PS.
Entre os exemplos que, segundo o PCP, evidenciam a ausência de soluções estruturais, Pós de Mina destacou quatro situações consideradas emblemáticas: o impasse na segunda fase das obras de ampliação do Hospital Distrital de Beja; a redução de 60 milhões de euros no financiamento comunitário previsto para a modernização da linha ferroviária Casa Branca–Beja; a continuidade de intervenções que não respondem à necessidade de construção integral do IP8 entre Sines e Vila Verde de Ficalho; e a indefinição em torno de investimentos no perímetro de rega, nomeadamente nos blocos Póvoa–Amareleja, Moura–Amareleja e Vidigueira.
No plano das propostas concretas para a especialidade, o PCP defende a reavaliação da gestão pública do Hospital de Serpa, a concretização dos blocos de rega em falta, intervenções prioritárias em estradas estruturantes, a criação da plataforma logística no Aeroporto de Beja e o avanço da eletrificação e modernização integral das ligações ferroviárias Casa Branca–Beja e Beja–Funcheira. O partido reclama ainda o reforço do financiamento das autarquias, verbas adicionais para intervenções urgentes em escolas do distrito, um programa plurianual para a soberania alimentar, apoio à produção de cereais, o reforço das direções regionais de agricultura, aumentos das pensões, reposição da idade de reforma aos 65 anos, controlo dos preços dos combustíveis e apoio aos órgãos de comunicação social regionais e locais.
Miguel Violante, responsável pela DORBE do PCP, destacou que a ausência de um deputado eleito pelo círculo de Beja “representa uma dificuldade adicional” na articulação direta dos problemas da região com a Assembleia da República. Ainda assim, garantiu que o partido “não deixará de fazer chegar as preocupações e as propostas” ao Parlamento através do seu grupo parlamentar, mantendo um trabalho de proximidade junto das populações, trabalhadores e autarquias.
Violante criticou ainda o que considera ser uma “máquina de propaganda” do Governo PSD/CDS, apontando como exemplo as visitas recentes de membros do Executivo ao distrito, que, segundo afirma, “não trazem soluções nem respostas orçamentais” para problemas como a falta de profissionais de saúde, a carência de professores ou a estagnação de investimentos estruturantes.
O dirigente comunista aproveitou também para reforçar o apelo à participação na greve geral convocada para 11 de dezembro, defendendo que o aumento do salário mínimo proposto pelo Governo “fica muito aquém do necessário” e reafirmando a proposta do PCP de 1.050 euros para o salário mínimo nacional, bem como aumentos de, pelo menos, 150 euros ou 15% para todos os trabalhadores.
As propostas agora tornadas públicas serão apresentadas e discutidas na especialidade, onde o PCP afirma que continuará a intervir para que, apesar das dificuldades políticas, as prioridades identificadas para o distrito de Beja não sejam ignoradas no processo orçamental.
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