Esta posição foi deixada por Paulo Raimundo numa intervenção no encerramento da XI Assembleia da Organização Regional de Beja, que decorreu em Serpa.

Numa intervenção de cerca de 30 minutos, o secretário-geral comunista voltou a referir-se à greve geral de quarta-feira, considerando que “foi tão forte e com um impacto tão forte, que tiveram que soltar tudo aquilo que têm no seu discurso e na sua ação contra a greve”.

“Puseram a carne toda no assador. Veio o discurso do ódio contra os sindicatos, contra os trabalhadores e um agastado e velho reacionário discurso anticomunista, do mais bafiento que já ouvimos”, disse, defendendo que quanto mais atacam os sindicatos, “mais gente se vai sindicalizar, e quanto mais atacarem o partido dos trabalhadores, mais trabalhadores se vão militar” no PCP.

Paulo Raimundo afirmou que “a greve isola o Governo apressado, com medo, um Governo que tem tanto de arrogante como de cobardia” e voltou a acusar o executivo liderado por Luís Montenegro, como já tinha feito no sábado, de ter marcado a discussão do pacote laboral no Parlamento “de forma apressada, à má fila”, demonstrando que “está aflito e sabe que está derrotado”.

“Agora é preciso continuar a luta para que o pacote seja definitivamente derrotado”, salientou o secretário-geral comunista, defendendo que “não é tempo de ficar à espera de nada”.

“Não é tempo de ficar à espera da Assembleia da República, nem muito menos de ficar à espera de partidos cata-vento, partidos de cambalhotas, partidos cuja sua palavra é menos firme, é menos firme do que um pacote de manteiga lá fora ao sol. Sim, estou a falar desse partido Chega, esse partido de cambalhotas. Não é tempo de ficar à espera de outros, é tempo dos trabalhadores, ombro a ombro, unidos, derrotarem de vez, com a sua luta e só com a sua luta, o pacote laboral”, afirmou.

Raimundo deixou também um apelo: “Dia 18 de junho, aquando da discussão na Assembleia da República, lá estaremos todos, todos para pressionar essa discussão, todos para mostrar a força de quem trabalha. Dia 18 de junho, todos à Assembleia da República para pressionar e para derrotar o pacote laboral” e “para não permitir manobras, cambalhotas e golpadas”.

O secretário-geral do PCP acusou também o Governo de “fraude” e de ter “peito feito com os mais fracos”, mas estar “vergado perante os mais fortes”.


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