Questionado sobre a realidade social do Baixo Alentejo, Marques Mendes distinguiu claramente dois desafios complementares: o combate à pobreza e o desenvolvimento do interior. No primeiro caso, assumiu a intenção de ser, enquanto Presidente da República, um agente ativo, propondo a criação de um fórum anual de combate à pobreza. Este fórum reuniria Governo, partidos da oposição, autarcas e instituições sociais, partindo do princípio de que “a pobreza não é apenas um problema dos pobres, é um problema nacional e de toda a sociedade”.

Para o candidato, o combate à pobreza deve ser elevado a desígnio nacional, com envolvimento político transversal e participação direta do setor social, considerando que estas instituições conhecem o território e as fragilidades reais das populações. Defendeu ainda que o Presidente da República pode e deve ter um papel mobilizador, colocando o tema de forma sistemática na agenda pública.

No plano do desenvolvimento do interior, Marques Mendes anunciou que, se for eleito, dedicará a sua primeira presidência aberta exclusivamente às regiões do interior do país. O foco, explicou, deverá incidir sobretudo no investimento e no emprego, áreas onde considera que “há ainda uma verdadeira revolução por fazer”. Reconheceu o contributo positivo do ensino superior para o interior ao longo das últimas décadas, mas considerou insuficiente para inverter o declínio demográfico e económico.

Segundo o candidato, a principal dificuldade reside na lógica económica que leva os investidores a preferirem o litoral, por ser estruturalmente mais barato. Para contrariar esta tendência, defendeu um reforço claro dos incentivos públicos, tanto ao nível dos fundos estruturais como da fiscalidade inscrita no Orçamento do Estado. “Não pode ser apenas o mercado a decidir. O Estado tem de intervir para compensar as desvantagens do interior”, afirmou.

Marques Mendes foi claro ao rejeitar soluções vagas, sustentando que só um sistema consistente de incentivos permitirá que investir no interior se torne, efetivamente, mais atrativo do que investir no litoral. Para o candidato, sem esta mudança estrutural, não haverá desenvolvimento sustentável do interior nem combate eficaz à pobreza nas regiões mais fragilizadas do país.

O candidato seguiu depois para Beja, numa passagem simbólica pela incontornável Pastelaria Luiz da Rocha, onde se cruzou com o humorista Bruno Ferreira. Desafiado no momento, o humorista recordou a imitação que durante anos protagonizou no programa Contra-informação, dando voz à personagem “Ganda Nóia”. Num registo mais sério, Bruno Ferreira aproveitou, no entanto, para sublinhar junto do candidato as necessidades estruturais da região, com particular enfoque nas acessibilidades, apontadas como um dos principais constrangimentos ao desenvolvimento do Baixo Alentejo.

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