Na intervenção de encerramento do XXII Congresso Federativo do PS do Baixo Alentejo, realizado em Serpa sob o lema "O Baixo Alentejo é Futuro", Marcelo Guerreiro afirmou que a nova direção recebeu um mandato para "defender o Baixo Alentejo, as pessoas, os seus municípios, os serviços públicos e os investimentos que a região precisa".

"O Baixo Alentejo produz alimento, produz energia, produz riqueza, protege recursos naturais, acolhe investimento e ocupa uma posição estratégica entre o Atlântico e Espanha. Mas continua a enfrentar salários baixos, perda de população, falta de habitação, serviços públicos frágeis e infraestruturas deficientes", afirmou.

O novo líder federativo sustentou que o território "não pode continuar a dar tanto ao país e a receber tão pouco em retorno", garantindo que a federação socialista será exigente "com o Governo, com o próprio Partido Socialista e com todos aqueles que têm responsabilidades políticas".

Grande parte da intervenção incidiu sobre as principais reivindicações da região. Marcelo Guerreiro criticou o atraso na modernização da ligação ferroviária entre Casa Branca e Beja, defendendo igualmente a reabertura e eletrificação da linha até à Funcheira, considerando que "o Baixo Alentejo não precisa de mais estudos sobre a sua distância, precisa de obras que o aproximem".

Na área da saúde, lamentou a demora no lançamento do concurso para o projeto de ampliação e requalificação do Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, considerando que "adiar decisões tem consequências e são sempre as pessoas que pagam o atraso". Defendeu ainda uma solução imediata para assegurar o financiamento integral das obras nas unidades de saúde dos concelhos de Castro Verde, Moura, Ourique e Serpa iniciadas ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Relativamente à ligação rodoviária entre Beja e a A2, Marcelo Guerreiro reiterou o apoio do PS ao projeto, mas sublinhou que o partido aguardará pela apresentação do traçado, calendário e financiamento, frisando que "não confundimos anúncio com obra".

A habitação foi outro dos temas centrais da intervenção. O dirigente socialista defendeu o reforço da oferta pública e privada, alertando que a falta de habitação está a impedir a fixação de jovens, profissionais de saúde, professores e outros trabalhadores essenciais na região.

Marcelo Guerreiro estabeleceu ainda uma ligação entre a degradação dos serviços públicos e o crescimento dos movimentos populistas, defendendo que "a melhor resposta ao populismo é uma democracia capaz de resolver os problemas", através de serviços públicos eficazes, proximidade e respostas concretas às populações.

No plano político, o novo presidente da Federação do PS do Baixo Alentejo anunciou que a estrutura irá desenvolver uma agenda regional construída em contacto direto com os territórios, ouvindo autarcas, empresários, agricultores, associações, jovens e instituições.

Essa agenda, explicou, assentará em três eixos estratégicos: "reter valor, fixar as pessoas e dar voz ao território".

Marcelo Guerreiro sucede a Nelson Brito na presidência da Federação do Baixo Alentejo do Partido Socialista, após um processo eleitoral interno concluído com o XXII Congresso Federativo realizado em Serpa.

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