Língua azul marcou ano difícil para produtores, mas Festival do Borrego mantém dinâmica do setor
A Associação de Agricultores do Campo Branco, uma das entidades promotoras do Festival Sabores do Borrego, destaca as dificuldades sentidas pelos produtores ao longo do último ano, marcado por quebras significativas no efetivo ovino.
Segundo o presidente da associação, António Aires, “foi um ano muito mau”, sobretudo devido ao impacto da língua azul, que afetou de forma expressiva os criadores da região. “Tivemos perdas graves e significativas nos rendimentos”, sublinha, referindo que se trata de um território assente em sistemas extensivos, particularmente vulneráveis a este tipo de condicionantes.
Apesar deste contexto, o período da Páscoa mantém-se como um momento relevante para o escoamento da produção. “O escoamento está a decorrer dentro da normalidade”, afirma António Aires, ainda que admita a expectativa de uma valorização dos preços, num cenário em que o número de animais disponíveis sofreu uma redução acentuada.
O responsável destaca ainda as características diferenciadoras do borrego do Campo Branco, criado em regime extensivo, em contacto direto com o pasto e em liberdade, fatores que, considera, se refletem na qualidade do produto.
No espaço da associação presente no festival, o enfoque está na valorização da ruralidade e na aproximação entre produtores e público, com particular atenção à sensibilização dos mais jovens para a atividade agrícola. “É fundamental garantir a continuidade do setor”, defende.
O Festival Sabores do Borrego decorre até domingo, em Castro Verde, afirmando-se como montra do território e da fileira ovina do Campo Branco.