Em declarações aos jornalistas, após presidir à inauguração da nova Variante Nascente a Évora do Itinerário Principal 2 (IP2), nas imediações desta cidade alentejana, o secretário de Estado Hugo Espírito Santo disse que a atuação da IP na região não se faz só de “grandes projetos”.

A empresa “vai investir no Alentejo, até ao final de 2028, 700 milhões de euros. Não nos podemos esquecer que há muito daquilo que é feito que não tem uma visibilidade como esta obra tem”, argumentou.

“Com 700 milhões de euros, há muita obra que é feita e que, se calhar, não olhamos para ela com esta pompa e circunstância, mas que se concretiza”, frisou o governante.

Segundo o secretário de Estado das Infraestruturas, este ‘bolo’ vai ser aplicado em obras na ferrovia e na rodovia, sendo distribuído pelos “três distritos do Alentejo”.

A nova Variante Nascente a Évora do Itinerário Principal 2 (IP2) hoje inaugurada resultou de um investimento de 54,9 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Com 12,8 quilómetros de extensão e perfil de autoestrada, ou seja, dupla faixa de rodagem em cada sentido, a nova variante liga o Nó de Évora Nascente da Autoestrada 6 (A6) à Estrada Nacional 18 (EN18), no troço entre a cidade alentejana e o IP2.

Questionado pelos jornalistas sobre o papel desta nova via na segurança rodoviária, o secretário de Estado das Infraestruturas disse ser “importante”, por ter perfil de autoestrada.

“Nós sabemos que estradas com separador central, com duas faixas [de rodagem], são muito mais seguras, permitem muito mais fluidez, muito mais conforto” e este tipo de perfil “ajuda muito a reduzir aquilo que é a sinistralidade rodoviária”.

E esta variante “não serve apenas Évora”, é uma obra que tem “dimensão nacional”, acrescentou, observando que o país precisa “de um Alentejo que esteja muito mais ligado”, para que “se possa desenvolver e continuar a crescer”.

Questionado pela agência Lusa sobre o troço rodoviário ainda em falta para concluir o IP2, junto a Évora, o governante assegurou que esse será “um passo subsequente” a esta obra.

“A IP está a trabalhar para ver quando o podemos lançar e quando o podemos concretizar”, referiu.

Hugo Espírito Santo realçou ainda que o PRR teve a “virtude” de “estimular a IP para um novo ciclo de crescimento e de investimento”, após “vários anos” em que a empresa esteve “numa lógica de manutenção mínima daquilo que eram as infraestruturas”.

Já o vice-presidente da Câmara de Évora, Jerónimo José, lembrou que a variante hoje inaugurada era um projeto “há muito ambicionado” e vai “melhorar a circulação e a segurança rodoviária”, assim como “aquilo que é a circulação na própria cidade de Évora”.

De acordo com estudos efetuados, previu o autarca, poderá retirar “entre 30% a 40%” do trânsito que circula dentro da cidade, sobretudo no que respeita ao “trânsito de pesados e de pessoas que fazem a ligação Norte-Sul ou Sul-Norte, que não têm necessariamente de ir a Évora”.

Em comunicado divulgado hoje, a Direção da Organização Regional de Évora (DOREV) do PCP lembrou que “o IP2 não está concluído” e reclamou a conclusão do troço entre a nova variante e o Ramal de S. Manços, cujas obras pararam em 2011.

“É indispensável a conclusão do restante troço abandonado no Governo de Passos Coelho e Portas e governos posteriores, que não pode continuar ao abandono, escondido por trás da propaganda veiculada”, reclamou a estrutura comunista.

Já o deputado do PS eleito por Évora, Luís Dias, em comunicado, considerou “uma boa notícia” a abertura da Variante Nascente de Évora do IP2, mas argumentou que o Governo PSD/CDS-PP “não se deve apropriar politicamente de investimentos decididos, programados e financiados no âmbito do PRR pelos governos” socialistas.

Trata-se de uma obra “extremamente relevante para a mobilidade na região e responde a uma justa reivindicação das populações, mas importa dizer que ela não começou do zero em 2024”, frisou.

A estrada “fez parte da estratégia de investimento na rede rodoviária definida pelos governos do PS, devidamente enquadrada e agora concluída”, assinalou o parlamentar do PS, referindo que o PRR “permitiu colocar em marcha investimentos que durante décadas foram adiados e que hoje começam a transformar o território”.


Comente esta notícia

Este site usa cookies para melhorar a sua experiência. Ao continuar a navegar estará a aceitar a sua utilização.