A APROSERPA exige ao Ministério da Agricultura e Mar o agendamento, com carácter de máxima urgência, de uma reunião técnica presencial até meados da próxima semana, uma vez que “em causa está a situação de forte pressão económica vivida pelas explorações agropecuárias da região, confrontadas simultaneamente com a escalada do preço do gasóleo agrícola e com uma quebra severa na campanha de cereais de sequeiro.”

A associação deixa o aviso, se não existir resposta ao pedido dentro do prazo indicado, podem surgir “outras formas de luta em defesa da sobrevivência económica das explorações e do território.”

A APROSERPA remeteu à tutela um documento técnico intitulado “Gasóleo Agrícola: O custo energético de produzir alimentos em Portugal” onde demonstra “a dimensão do custo energético associado à produção agrícola.”

De acordo com a associação, “nenhum agricultor coloca uma máquina agrícola a trabalhar nem consome gasóleo por desporto. O trator não é um veículo de lazer. Cada litro consumido é um fator de produção necessário para produzir alimentos. Com base em consumos registados em ensaios normalizados OCDE de dois tratores agrícolas de gama média, o documento apresenta uma hipótese ilustrativa de uma jornada de oito horas de trabalho em condições de elevada solicitação. Dois tratores podem consumir cerca de 325 litros de gasóleo numa jornada de oito horas".

Ainda segundo a APROSERPA, “aumentos persistentes do custo da energia podem repercutir-se ao longo da cadeia alimentar, seja através da redução das margens dos produtores, da perda de competitividade da produção nacional ou da transmissão parcial de custos aos restantes operadores e ao consumidor”, uma situação que “assume particular gravidade numa campanha marcada por quebras severas na produção de cereais de sequeiro, diminuindo a disponibilidade de alimento produzido nas próprias explorações e aumentando a vulnerabilidade económica dos produtores pecuários.”

No documento para além da identificação do problema são propostas medidas, com destaque para ”a avaliação de um mecanismo automático de estabilização do preço do Gasóleo Colorido e Marcado, o reforço temporário do apoio em períodos de aumentos excecionais dos custos energéticos, a monitorização dos preços efetivamente pagos pelos agricultores e uma diferenciação que considere as especificidades dos territórios de baixa densidade.”

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