As declarações surgem depois de, no XXII Congresso da Federação do Baixo Alentejo do Partido Socialista, ter sido novamente colocada em debate a possibilidade de aproximar institucionalmente os dois territórios, tema também recentemente levantado pelo deputado Pedro do Carmo.

Hélder Guerreiro afirmou que esta é uma posição que defende "há muito e muito tempo", recordando que já a sustentava na altura da antiga Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral e que voltou a apresentá-la no âmbito dos trabalhos coordenados por João Cravinho sobre a reorganização administrativa do país.

Na perspetiva do autarca, a criação desta nova estrutura teria impactos positivos também ao nível da representação política da região, permitindo aumentar o número de deputados eleitos pelo território.

"Em vez de caminharmos para só termos dois deputados eleitos pelo Baixo Alentejo, poderemos vir a ter quatro deputados eleitos pelo Baixo Alentejo e Alentejo Litoral", sustentou.

Hélder Guerreiro considerou ainda que uma maior integração territorial permitiria reforçar a ligação entre o Atlântico e a fronteira espanhola, criando melhores condições para discutir infraestruturas estratégicas e combater a excessiva concentração dos investimentos no eixo norte-sul.

Entre as prioridades apontadas destacou a necessidade de melhorar as ligações ferroviárias, defendendo a recuperação da ligação entre Beja e a Funcheira como forma de assegurar uma ligação ferroviária regional até Sines, potenciando igualmente o acesso ao mercado de trabalho associado ao complexo industrial e portuário.

O presidente da Câmara de Odemira referiu também que o seu concelho continua a viver uma realidade administrativa "esquizofrénica", por depender de diferentes estruturas e serviços consoante as matérias em causa, apontando como exemplos a existência de dois serviços distintos do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) ou a necessidade de envolver simultaneamente entidades de saúde de Beja e de Santiago do Cacém em vários processos.

Na intervenção, o autarca deixou ainda críticas aos partidos políticos da região, considerando que têm falhado na definição de uma estratégia de futuro para o território.

"O Partido Socialista e os outros partidos demitiram-se completamente de olhar para o futuro do Baixo Alentejo", afirmou, estabelecendo um contraste com o que considera ter acontecido noutras regiões do país, como o Oeste e a Península de Setúbal, onde os autarcas e responsáveis políticos "se preocuparam com o futuro do seu território".

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