Gavião: Festival TSS apresenta “O Périplo Infinito: Sons do México (e da Europa)”
O Festival Terras Sem Sombra (TSS) vai estar, este fim-de-semana, em Gavião para apresentar o concerto o concerto “O Périplo Infinito: Sons do México (e da Europa)”. A ação de Património inclui confeção de Pão dos Vivos (o pão tradicional do Alentejo) e Pão dos Mortos (o pão cerimonial do México) e a atividade de Salvaguarda da Biodiversidade convida a percorrer as margens do rio Tejo.
O Cineteatro Francisco Ventura recebe, esta noite, o concerto “O Périplo Infinito: Sons do México (e da Europa)” com a presença em palco de dois notáveis intérpretes mexicanos – o flautista Horacio Franco e o cravista Daniel Ortega. O concerto inclui ainda a participação especial da Banda Juvenil do Município de Gavião.
“O Périplo Infinito: Sons do México (e da Europa)” apresenta-se como uma viagem que liga Bach e Vivaldi à tradição musical mexicana.
De tarde, a ação de Património intitulada «Entre o Alentejo e a Beira: Patrimónios de Gavião» inclui confeção de Pão dos Vivos (o pão tradicional do Alentejo) e Pão dos Mortos (o pão cerimonial do México)
Inês Florindo Lopes e a Diogo Neves, historiadores de arte, vão guiar os participantes por um percurso que guarda marcas complementares de duas regiões: a rudeza e a abundância de recursos naturais das serranias beirãs, lado a lado com a planície aberta do território alentejano. Um dos momentos altos da visita vai acontecer no recém-inaugurado Museu de Arte e Atrelagem, projecto do arquitecto João Luís Carrilho da Graça (nascido em Portalegre, em 1952), que posiciona o concelho no mapa da museologia internacional. Neste espaço, o visitante encontra viaturas de luxo e atrelagens de exceção, além dos respetivos equipamentos, provenientes de coleções de renome, como a Casa Dorantes, de Sevilha, em diálogo com outros núcleos particulares.
A viagem que é proposta não se esgota no património erudito. Os fornos comunitários, com grandes tradições em Gavião, lembram a importância do trabalho partilhado e da economia da entreajuda, práticas que moldaram gerações. A atividade propõe o workshop «O Pão dos Vivos e o Pão dos Mortos», conduzido por padeiras locais e personalidades mexicanas convidadas.
No domingo de manhã, realiza-se o habitual momento de atividade para a salvaguarda da biodiversidade. Com ponto de encontro no Museu de Arte e Atrelagem, em Gavião, os participantes na acção «O Próprio e o Alheio: Ictiofauna do Tejo» rumam às margens deste rio, na freguesia de Belver. Bernardo Quintella, biólogo e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, orienta a atividade para uma melhor compreensão das espécies autóctones – como a boga, o barbo e a enguia, que ao longo de séculos sustentaram comunidades ribeirinhas – e uma avaliação do impacte das espécies exóticas, com destaque para o peixe-gato, considerado um predador voraz e altamente nocivo, cuja presença ameaça gravemente o equilíbrio ecológico do Tejo. Outros invasores, como a perca-sol ou o achigã, também vão estar em destaque, revelando como chegaram às águas portuguesas e de que forma alteraram cadeias alimentares e práticas de pesca tradicionais.
Para tornar esta realidade mais palpável, vão ser lançadas redes ao rio, em capturas experimentais, permitindo assim observar diretamente a composição das comunidades piscícolas.
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