Em declarações ao O Atual, perto do encerramento do certame, o presidente da Câmara Municipal de Castro Verde, António José Brito, destacou a elevada participação, sublinhando que “o festival decorreu muito bem, sobretudo porque teve pessoas”, apontando a noite de sábado como momento de maior afluência, com “milhares de visitantes” e uma das maiores enchentes registadas desde a criação do evento.

Mais do que a dimensão quantitativa, o autarca evidenciou a consistência dos conteúdos e a capacidade do festival em afirmar o território: “não é só essa dinâmica que é a expressão principal do festival, é tudo aquilo que são os conteúdos que conseguimos atrair a Castro Verde, valorizando o território do Campo Branco e aquilo que é a sua identidade rural”.

A valorização do mundo rural surge, aliás, como eixo central do evento. “Nós somos do campo e temos que valorizar o campo nas suas diferentes dimensões, naquilo que ele tem de mais rico, mais belo e mais importante”, afirmou.

O festival assenta também numa parceria estratégica com os agentes do setor, nomeadamente a Associação de Agricultores do Campo Branco e os produtores locais, que o presidente classifica como “uma parceria muito importante para o território e para as pessoas”, construída desde a primeira edição e reforçada ao longo dos anos.

Apesar do ambiente festivo, o encerramento ficou igualmente marcado por um alerta para as dificuldades que atravessam o setor agrícola. António José Brito sublinhou os desafios acrescidos de um território de sequeiro, onde os agricultores enfrentam condições mais exigentes, defendendo maior reconhecimento das políticas públicas: “esta capacidade de preservar o ambiente tem que ser naturalmente recompensada”.

O autarca deixou ainda reservas quanto a orientações futuras a nível europeu e internacional, alertando para o impacto que acordos como o Mercosul poderão ter num setor já pressionado.

Com crescimento sustentado ao longo de sete edições, o Festival Sabores do Borrego reforça assim o seu posicionamento enquanto evento identitário do Campo Branco, conjugando gastronomia, cultura e território, e deixando já a indicação de regresso para o próximo ano.

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