Ferreira do Alentejo: Terras sem Sombra apresenta “O Carnaval dos Animais” com comunidade local
A vila de Ferreira do Alentejo recebe, este fim-de-semana, a segunda etapa do Festival Terras sem Sombra, que apresenta a peça para dois pianos e orquestra “O Carnaval dos Animais”, de Camille Saint-Saëns.
A peça é apresentada, esta noite, pelas 21.30 horas, no Lagar do Marmelo, na freguesia de Figueira dos Cavaleiros, sob a direção musical da pianista belga Éliane Reyes, e com a participação de cidadãos da comunidade local.
Trata-se da produção de uma obra normalmente aberta ao público mais novo, que desta vez se presta à abordagem de diferentes culturas, permitida pela colaboração das comunidades migrantes, segundo fonte do Festival.
Além de Éliane Reyes, o ensemble musical é constituído pelos portugueses Luísa Tender (piano), Alexandra Mendes e Luís Santos (violinos), António José Pereira (viola d’arco), Irene Lima (violoncelo), Adriano Aguiar (contrabaixo), Carlos Alves (clarinete), André Dias (percussão) e a flautista luso-americana Katharine Rawdon.
Além do concerto, esta segunda etapa, como tradicionalmente, inclui iniciativas na área do património e da biodiversidade.
Também neste sábado, às 15.00 horas, com ponto de partida na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Ferreira do Alentejo, a diretora do Museu Municipal de Ferreira do Alentejo, a historiadora Maria João Pina, orienta uma visita histórica pela vila baixo-alentejana, desde a zona dos Pedreirinhos, topónimo que remonta à Idade Média, até à zona de S. Pedro.
Esta visita conta ainda com as participações do comerciante António Ramos, do editor Jorge Colaço e do historiador de arte José António Falcão, diretor-geral do Festival.
Amanhã, do domingo, a partir das 09.30 horas, a paleontóloga Ausenda Cáceres Balbino, professora na Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora, dirige uma visita subordinada ao tema “Ontem um Oceano, Hoje um Rio: Tubarões e Raias Fósseis na Bacia de Alvalade”.
Esta bacia, de cerca de 700 quilómetros quadrados, estende-se ao concelho vizinho de Santiago do Cacém e, segundo nota do Festival, trata-se de uma visita “até ao período em que o território do atual Baixo Alentejo era um imenso mar raso”.
Ausenda Balbino tem estudado esta bacia, tendo publicado, pela Academia das Ciências de Lisboa, o opúsculo “Chondrichthyes do Miocénico da Bacia de Alvalade” (2019).
O Festival Terras sem Sombra orienta-se “em dois eixos estruturantes, o território e a sociedade civil”, estando assim as comunidades migrantes em foco, disse à agência Lusa o diretor-geral do festival, José António Falcão, que sublinhou a cultura como "agente de transformação da sociedade”.
Esta 22.ª edição do Terras sem Sombra decorre até a dezembro, tem o mote “Alegres Campos, Verdes Arvoredos: Música e Biosfera (Da Idade Média à Criação Contemporânea)”, e irá passar por vários concelhos alentejanos, um ribatejano, Coruche, e um espanhol, Ribera de Arriba, próximo de Oviedo, nas Astúrias.
Depois de Ferreira do Alentejo, as próximas etapas são em Grândola, nos dias 02 e 03 de maio, Mértola, dias 16 e 17 de maio, e, a fechar o mês, nos dias 30 e 31 de maio, em Ribera de Arriba.
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