Em comunicado enviado à agência Lusa, a mesa administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Serpa (SCMS), distrito de Beja, que se demitiu em bloco no final de julho, disse que “a proposta visava garantir uma renda regular que assegurasse o cumprimento das obrigações” do Processo Especial de Revitalização (PER).

E, assim, libertar a misericórdia “do risco operacional de uma área de saúde deficitária por falta de profissionais”, continuou, argumentando que, “infelizmente, a estratégia de salvação colidiu com a política”.

De acordo com a mesa administrativa, liderada pela provedora demissionária Maria Isabel Estevens, “a sustentabilidade da SCMS depende da rentabilização da Unidade Médico-Cirúrgica”.

Só que, “perante a recusa do Estado” em integrar a unidade no Serviço Nacional de Saúde”, através da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), e “a ausência de compromisso da União das Misericórdias Portuguesas em operacionalizar a sua atividade”, a mesa administrativa “não teve alternativa senão procurar um parceiro privado com capacidade técnica e financeira”.

Na assembleia-geral de 27 de julho, os associados desta Santa Casa rejeitaram a proposta para que a Misericórdia e o Grupo LA Health formalizassem dois contratos de gestão partilhada para as áreas social e da saúde da instituição, noticiou então a Lusa.

A proposta previa um contrato para a gestão da estrutura residencial para pessoas idosas (ERPI) e da unidade de cuidados continuados integrados (UCCI) e um outro de consultadoria e mediação na área da saúde.

No comunicado de hoje, a mesa administrativa denunciou “a instrumentalização do ‘voto não’ na assembleia-geral”, nomeadamente “por parte do sindicato dos trabalhadores” e “pela existência de reuniões” do executivo da Câmara de Serpa “com os trabalhadores da SCMS — sem nenhum conhecimento por parte da mesa administrativa, que só soube destas reuniões após as mesmas acontecerem”.

“A SCMS sempre alertou que bloquear esta parceria é colocar em causa a própria execução do PER e o futuro da instituição”, lê-se no comunicado.

Citada na nota de imprensa, a provedora demissionária, embora não tenha revelado nomes, nem partidos políticos, considerou que a mesa administrativa “viu defraudado o seu projeto por várias entidades que instrumentalizaram o ‘voto não’”.

“Tentarem branquear o passado acusando esta mesa administrativa de má gestão é que não vão conseguir porque as evidências existem e os factos são reais”, disse.

No documento, o órgão da SCMS questionou se “será ético, numa era de custos crescentes na saúde, permitir que dogmas ideológicos sobre parcerias privadas precipitem o colapso financeiro de instituições seculares e comprometam a segurança dos mais vulneráveis”.

No dia 07, o grupo parlamentar do PCP entregou uma pergunta na Assembleia da República em que exige esclarecimentos ao Governo sobre a situação “particularmente preocupante” da SCMS e reivindica o regresso da gestão do Hospital de São Paulo ao Serviço Nacional de Saúde.

Antes, em 31 de julho, após a demissão em bloco da mesa administrativa da Misericórdia, a Câmara de Serpa (PS) afirmou que o chumbo da gestão partilhada de valências com um grupo privado representa “um sinal inequívoco da necessidade de encontrar um novo caminho para a SCMS”.

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