Crescimento da produção de azeite influenciado por novos olivais e clima - Olivum
O aumento da produtividade de novos olivais, a maior disponibilidade hídrica e a "boa floração" permitem perspetivar um crescimento de 10% da produção de azeite em Portugal, face à campanha anterior,
Em declarações à agência Lusa, o gestor de projetos da Olivum - Associação de Olivicultores e Lagares de Portugal, Gonçalo Moreira, revelou que a campanha de 2026/2027 traduz um "ano de safra", ou seja, uma "maior produção" de azeitona.
Em causa, assinalou, está o surgimento de novas plantações e "reconversões de alguns olivais antigos em olivais mais modernos e com maior capacidade", assim como a alteração de "algumas variedades que [no ano passado] tinham estado em contrassafra".
"Foi, também, um ano em que a primavera nos trouxe uma floração esplendorosa, que é sempre um indicativo de que vamos ter uma maior produção, e não tivemos pragas e nem doenças, o que, até ver, permite que a produção se mantenha nas árvores", acrescentou.
Paralelamente, os meses com "alguma chuva" e a "capacidade hídrica do solo" são outros fatores que ajudam a que a Olivum estime um crescimento de 10% da produção de azeite nesta campanha.
"Já o caso do calor é sempre contraproducente, no sentido em que, havendo mais, temos sempre mais evapotranspiração [e] mais perda de água por parte das plantas”, referiu.
Ainda assim, “o que nos ajudou foi que, como tinha chovido bastante, os solos, principalmente na zona de Beja, conseguiram manter muita humidade apesar do sol", destacou.
O gestor da associação indicou que as "temperaturas muito elevadas" conduziram ao adiantamento da "maturação da azeitona" e à antecipação do período de apanha, o que fez com que algumas propriedades já estejam "a fazer a colheita", um mês antes do previsto.
"Temos algumas regiões e alguns sítios em que o campo leva quase um mês de adiantamento e há locais onde já se está a fazer a colheita e a produzir azeite", revelou Gonçalo Moreira.
Além disso, explicou, a procura dos mercados por "azeites cada vez mais verdes" e "mais frescos" também tem levado a que a colheita antes da época tradicionalmente prevista "seja encarada como um processo natural".
"Em vez de estarmos a fazer a campanha de azeitona em novembro ou em dezembro, passámos a iniciar em outubro”, ou mesmo, “dependendo do ano, às vezes um bocadinho mais cedo", elucidou.
Em comunicado divulgado na terça-feira, a Olivum revelou que, a confirmarem-se as previsões, a campanha de 2026/2027 deverá aproximar "o país dos valores de referência registados na campanha 2024/2025", ou seja, cerca de 177 mil toneladas.
"Após uma campanha anterior que totalizou 160 mil toneladas de azeite a nível nacional, as previsões para este ano apontam para uma recuperação do setor", afirmou a associação.
Gonçalo Moreira, citado no comunicado, considerou ser "ainda prematuro tirar conclusões sobre a campanha", mas assumiu que o foco está em manter "o compromisso do setor com a qualidade de excelência do azeite português, reforçando o posicionamento de Portugal no topo dos grandes produtores mundiais”.
A associação alertou também que, apesar das "boas perspetivas" para este ano, esta atenta “à evolução dos custos de produção, nomeadamente, associados aos combustíveis".
"Em Portugal continental, o preço médio do gasóleo agrícola registou uma subida de cerca de 60% e o gasóleo rodoviário aumentou 40%, quando comparado com o período homólogo da campanha”, referiu.
Este encarecimento, segundo a Olivum, é “um desafio adicional que o setor enfrenta na gestão da presente campanha".
Com sede em Beja e constituída em 2013, esta associação de olivicultores e lagares pretende dar respostas a novas questões da cultura do olival, incluindo a necessidade da defesa e representatividade do setor, na altura quase inexistente.
A entidade representa mais de 53 mil hectares de olival, 21 lagares e cerca de 70% da produção nacional de azeite.
Comente esta notícia
Destaques
Sindicatos mobilizam para greve e manifestação dos trabalhadores das carreiras Gerais da Administração Pública
Hospital Privado de Beja abre no 2º semestre de 2027
Aljustrel: Governo autoriza passagem de conduta para reforço de abastecimento de água

