Covid-19: Futuro do desporto nacional está em risco devido à pandemia
A pandemia parou competições, suspendeu-as, revolucionou-as, e afetou, mais do que qualquer outra, a vertente da formação, que, na sua maioria, perdeu praticantes e teve de reinventar-se perante os desafios impostos pela covid-19.
O alerta foi dado em dezembro de 2020 pelo presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), que, numa entrevista à agência Lusa, revelou “uma quebra muito significativa” nos indicadores de prática desportiva “num país que já os tinha baixos”, particularmente nos escalões de formação e nas modalidades de pavilhão.
A preocupação manifestada pelo presidente do COP expressa-se agora em algarismos: o número de jovens desportistas federados caiu para menos de metade, praticamente um ano depois da suspensão das competições de formação, devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus, com o futebol a ser particularmente afetado.
A Federação Portuguesa de Futebol (FPF), responsável pelas competições nacionais de futebol e futsal, foi a que sofreu a maior quebra, contando na presente temporada com um total de 39.471 federados, 33.922 no futebol e 5.549 no futsal, uma queda superior a 75% do número de inscritos em 2019/20.
Na época passada, que foi interrompida em março de 2020, de acordo com os dados de janeiro, a FPF somava 159.318 jovens atletas federados, na sua maioria praticantes de futebol (132.835), enquanto 26.483 jogavam futsal.
Mas a FPF não foi a única entidade federativa a sofrer um forte revés na formação, decorrente da pandemia de covid-19: a Federação de Andebol de Portugal registou uma diminuição de 54% do número de jovens inscritos (6.240 atletas em 2020/21, comparando com os 13.553 pré-pandemia), enquanto a de basquetebol ‘perdeu’ aproximadamente 10 mil jovens praticantes (42%), com 14.050 inscritos em 2020/21, comparativamente com os 24.089 da época passada.
A proporção é semelhante nos jovens praticantes de voleibol (46%), cuja federação nacional tem registados 27.156 inscritos, face aos 49.980 da época passada, e de hóquei em patins (50%), atualmente com 2.875, comparativamente com os 5.764 de 2019/20.
No total, dos quase 252.704 inscritos nestas cinco federações, que contavam com os praticantes de futebol e das cinco principais modalidades de pavilhão, restam 89.792 jovens atletas.
O ‘rombo’ é ainda mais percetível ao nível dos clubes: quatro em cada cinco jovens judocas deixaram a Académica, enquanto os principais clubes de râguebi do Alentejo - CR Évora e RC Montemor - perderam quase metade dos jovens dos escalões de formação devido à pandemia de covid-19.
Comente esta notícia
Destaques
Militares da GNR de Beja obtêm certificação como Técnicos de Instalações Elétricas
Castelo de Beja recebe gravação do programa "Em Casa d'Amália" da RTP
Câmara de Beja assina protocolo para criação de refúgio climático com o Ministério do Ambiente

