CCDR passam a ter sete vice-presidentes e cinco são indicados pelo Governo
O conselho diretivo da CCDR Alentejo vai passar a integrar cinco vice-presidentes designados diretamente pelo Conselho de Ministros, na sequência de um decreto-lei publicado hoje e aprovado em Conselho de Ministros a 28 de novembro. A alteração legislativa, promovida pelo Governo PSD/CDS-PP, está a ser fortemente criticada pelo Partido Comunista Português (PCP), que denuncia um processo de “governamentalização das políticas regionais”.
A medida aplica-se às cinco Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve) e altera o modelo definido em 2023, quando as CCDR foram convertidas em institutos públicos. No caso do Alentejo, o conselho diretivo passará a contar com sete vice-presidentes: dois resultantes do modelo de eleição indireta pelos autarcas e cinco indicados pelo Governo, sob proposta dos ministérios da Educação, Saúde, Ambiente, Cultura e Agricultura, após audição do presidente da CCDR.
O diploma estabelece que estes vice-presidentes governamentais passam a coordenar os departamentos setoriais correspondentes, funcionando como elo direto entre os serviços centrais dos ministérios e os serviços operativos regionais. No plano prático, isto significa que áreas estruturantes para o Alentejo — como a agricultura, a saúde, o ambiente ou a cultura — ficam sob uma coordenação mais direta da administração central, ainda que operacionalizada à escala regional.
Na área da saúde, em particular, o decreto-lei atribui às CCDR um papel ativo no planeamento regional de saúde pública, nas infraestruturas e equipamentos e na articulação com o Serviço Nacional de Saúde, no contexto da extinção das Administrações Regionais de Saúde. Trata-se de uma mudança com impacto direto num território como o Alentejo, marcado por assimetrias no acesso aos cuidados de saúde e por défices estruturais persistentes.
O Governo justifica ainda a alteração com a necessidade de harmonizar a composição dos conselhos diretivos, corrigindo uma diferenciação existente no Algarve e uniformizando o número de membros em todas as CCDR.
Já o PCP considera que o diploma representa “mais um passo na centralização do poder”, sublinhando que não houve discussão pública nem auscultação dos autarcas. Em comunicado, o partido critica também o que classifica como um entendimento informal entre PS e PSD para a distribuição das presidências das CCDR, considerando que a eleição indireta perde substância democrática quando a maioria do órgão executivo passa a ser nomeada pelo Governo.
Segundo os comunistas, esta opção reforça o caráter centralista das CCDR e consolida-as como instrumentos de adiamento indefinido da regionalização, esvaziando a autonomia política das regiões e condicionando a definição de políticas públicas adaptadas às especificidades territoriais, como as do Alentejo.
Recorde-se que as CCDR são serviços desconcentrados da Administração Central, com autonomia administrativa e financeira, responsáveis, entre outras funções, pela gestão de fundos comunitários e pela execução de políticas de desenvolvimento regional. As próximas eleições indiretas para estas entidades estão marcadas para 12 de janeiro.
Comente esta notícia
Destaques
Castelo de Beja recebe gravação do programa "Em Casa d'Amália" da RTP
Câmara de Beja assina protocolo para criação de refúgio climático com o Ministério do Ambiente
Eleições na distrital de Beja levam a várias demissões no partido CHEGA