CCDR: Bloco de Esquerda questiona Governo sobre dirigente nomeado para Cultura no Alentejo
O Bloco de Esquerda (BE) exige explicações do Governo sobre a nomeação do novo vice-presidente da CCDR Alentejo para a Cultura, alegando que o dirigente não tem qualquer experiência para substituir “uma técnica de renome internacional”.
O pedido de explicações é feito pelo deputado bloquista Fabian Figueiredo em perguntas dirigidas aos ministros da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, e da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, enviadas hoje à agência Lusa.
O parlamentar refere que a não recondução de Ana Paula Amendoeira como vice-presidente para a cultura da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo e a sua substituição por Henrique Sim-Sim “suscitou uma onda de indignação pública e institucional na região”.
“Ana Paula Amendoeira não é apenas uma gestora pública, é uma figura cimeira da Cultura e do Património a nível nacional e internacional”, afirma o deputado do BE, detalhando o currículo e o trabalho efetuado por esta anterior vice-presidente da CCDR.
Lembrando que “mais de 1.700” pessoas subscreveram uma carta aberta a exigir a sua continuidade no cargo, Fabian Figueiredo argumenta que a mudança “não parece obedecer a critérios de eficácia administrativa, mas sim a uma lógica de ocupação partidária do Estado”.
A nomeação de Henrique Sim-Sim, defende o deputado, “carece de fundamentação técnica inteligível no âmbito das atribuições do cargo”, pois “é licenciado em Engenharia Zootécnica, com um percurso profissional quase exclusivamente ligado à Fundação Eugénio de Almeida na área do voluntariado e ação social”.
“Embora o percurso do engenheiro Henrique Sim-Sim na área social possa ser legítimo noutros contextos, não se vislumbra qualquer ligação, experiência ou produção científica relevante no setor da Cultura ou do Património Arquitetónico e Arqueológico”, assinala.
Fabian Figueiredo destaca que o mesmo dirigente foi candidato de uma coligação liderada pelo PSD à Câmara de Évora e é atual vereador, além da assinalar a sua “proximidade a figuras cupulares da atual maioria parlamentar” da AD.
Entre outras questões colocadas nas perguntas entregues no parlamento, o Bloco quer conhecer os critérios técnicos e científicos que fundamentaram a escolha de Henrique Sim-Sim para o cargo de vice-presidente da CCDR Alentejo com o pelouro da Cultura em detrimento de Ana Paula Amendoeira.
Na semana passada, o PCP também criticou o que considera terem sido “critérios quase exclusivamente de sectarismo partidário” para as nomeações dos novos vice-presidentes da CCDR Alentejo e acusou o Governo de querer utilizar estes organismos como “correias de transmissão”.
Há pouco mais de uma semana, numa cerimónia realizada em Évora e presidida pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, tomaram posse os novos presidentes das cinco CCDR: Álvaro Santos (Norte), Ribau Esteves (Centro), Teresa Mourão Almeida (Lisboa e Vale do Tejo), Ricardo Pinheiro (Alentejo) e José Apolinário (Algarve).
Entretanto, numa outra cerimónia, também já tomaram posse os novos vice-presidentes da CCDR Alentejo Henrique Sim-Sim (Cultura), Sónia Ramos (Ambiente), Marciano Lopes (Saúde), Helena Cavaco (Agricultura) e Silvino Alhinho (Educação).
Além dos cinco vice-presidentes escolhidos pelo Governo, a CCDR Alentejo tem ainda como vice-presidentes, neste mandato que agora se inicia, Aníbal Costa (eleito pelos presidentes de câmara da região) e Roberto Grilo (indicado pelo Conselho Regional).
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