CCDR afasta hipótese do Alentejo perder 700ME no próximo quadro de apoios europeus
O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, Ricardo Pinheiro, afastou a hipótese de o território perder 700 milhões de euros no próximo quadro comunitário, embora possa haver um decréscimo de verbas.
“Estou relativamente confiante e tranquilo que esta dúvida que existiu em determinada altura em relação à perda de 700 milhões de euros, de acordo com aquilo que temos em cima da mesa, é uma realidade que não vai acontecer na região Alentejo”, afirmou.
Ouvido no parlamento numa audição conjunta das comissões de Economia e Coesão Territorial e da Reforma do Estado e Poder Local, o dirigente admitiu, porém, que o Alentejo e todas as outras NUTS II estão preparados “para perder alguma coisa, fruto do contexto europeu”.
“Garantir que o Alentejo não perde fundos comunitários é possivelmente uma das batalhas mais importantes que tratarei de ter nos próximos quatro anos”, sublinhou, referindo-se às próximas negociações com a Comissão Europeia.
Com esta nova NUTS II, que retirou ao Alentejo os 11 concelhos da Lezíria do Tejo, o produto interno bruto (PIB) per capita regional pode subir acima dos 75%, devido ao desenvolvimento de Sines, deixando a região de ser considerada de convergência.
Aludindo a esta reconfiguração territorial, Ricardo Pinheiro explicou que a criação da NUTS II (Nomenclatura de Unidades Territoriais para Fins Estatísticos) Oeste e Vale do Tejo tem “impacto estatístico” no Alentejo.
“Não me parece que, do ponto de vista de organização territorial, tenha sido um mau exercício”, afirmou, considerando que a integração da Lezíria do Tejo no Alentejo “não faz sentido” numa hipotética “preparação da regionalização em Portugal”.
Porém, defendeu, “este exercício obriga a que se faça uma análise da valorização de cada uma das NUTS III” para se perceber “quais são as regiões que eventualmente contribuem para uma dimensão de continuar a manter o PIB abaixo dos 75%”.
Entre outros aspetos, o presidente da CCDR Alentejo notou que não se conhece “exatamente a forma nem o tratado em que a gestão dos fundos comunitários se vai fazer no próximo quadro financeiro plurianual”.
E referiu que o Alentejo deve começar a preparar as negociações com a Comissão Europeia para continuar a privilegiar o fomento da agricultura e garantir as melhores opções de política de coesão, colmatar a eventual perda de fundos e mostrar de forma científica e organizada as grandes áreas de investimento.
“A Estratégia Regional de Especialização Inteligente é possivelmente o maior instrumento de planeamento e perspetiva que o Alentejo tem para justificarmos à Comissão Europeia que não podemos perder esta dimensão de fundos comunitários”, acrescentou.
Esta audição foi requerida pelo grupo parlamentar do partido Chega.
A nova organização do país em NUTS, aprovada por Bruxelas, exigiu alterações ao regime jurídico das autarquias locais, das áreas metropolitanas e das comunidades intermunicipais para a criação de uma NUTS II e de uma Comunidade Intermunicipal (CIM) na Península de Setúbal e para que as CIM do Oeste, da Lezíria do Tejo e do Médio Tejo se constituíssem igualmente como NUTS II.
Comente esta notícia
Destaques
Investimento de 400ME coloca mina de Aljustrel “na linha da frente da mineração”
Feira do Campo de Aljustrel pode ganhar dimensão mineira e energética
Praia Fluvial de Albergaria dos Fusos hasteou Bandeira Azul e Bandeira Praia Acessível

