Associação mede qualidade do ar em Fortes, aldeia afetada por alegada poluição de fábrica
Uma associação começou a medir diariamente a qualidade do ar numa aldeia do concelho de Ferreira do Alentejo, no distrito de Beja, afetada pela alegada poluição de uma fábrica e promete enviar os resultados para as entidades públicas.
Foto: Nelson Patriarca
“Como temos feito tanta coisa e nada tem resultado, agora quisemos comprar o equipamento para divulgar os resultados” da qualidade do ar na aldeia, afirmou hoje à agência Lusa Idalina Coragem, da direção da Associação Ambiental Amigos das Fortes.
A população da aldeia de Fortes, no concelho de Ferreira do Alentejo, queixa-se, há vários anos, da alegada poluição da fábrica AZPO - Azeites de Portugal, que transforma bagaço de azeitona, situada a cerca de 300 metros da povoação.
Desde a semana passada, um equipamento de monitorização da qualidade do ar, adquirido pela associação, está a medir, 24 horas por dia, parâmetros ambientais, como partículas em suspensão, compostos orgânicos voláteis totais e óxidos de azoto.
“Temos vindo, ao longo dos anos, a pedir à câmara, CCDR [Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional] e à APA [Agência Portuguesa do Ambiente] que nos ajudassem. Como não ajudaram, então, fomos nós que comprámos o aparelho”, realçou.
E agora, salientou a dirigente da associação, os resultados registados pelo equipamento de monitorização “vão passar a ser enviados” para estas entidades e também divulgados junto da população “para as pessoas saberem o que estão a respirar”.
“Quando eles [os responsáveis das entidades públicas] começarem a ver os valores do nosso aparelho, penso que são capazes de fazer alguma coisa”, sublinhou.
Segundo Idalina Coragem, o aparelho é portátil e a associação está a mudar com frequência o local onde são recolhidos os dados, a maior ou menor distância da fábrica.
Questionada sobre os resultados registados pelo equipamento, a responsável escusou-se a revelar os valores concretos, apontando que os parâmetros relativos à poluição “são muito altos, muito mais do dobro do que é permitido”.
Nas declarações à Lusa, a dirigente da associação relatou que, dependendo da direção do vento, a aldeia é frequentemente ‘invadida’ por fumo e mau cheiro, alegadamente vindo daquela unidade industrial.
“Estamos no verão, mas não podemos abrir portas nem janelas”, devido ao mau cheiro, frisou, alertando que a situação afeta a qualidade de vida da população.
“Não fazemos a vida normal como fazíamos antes de a fábrica abrir”, acrescentou.
Num comunicado divulgado em 25 de maio de 2020, esta associação já pedia, entre outras exigências, “a realização de análises à qualidade do ar” na aldeia e medidas de monitorização permanente para salvaguarda da saúde pública.
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