Em declarações à agência Lusa, o presidente da ACOS – Associação de Agricultores do Sul, com sede em Beja, Rui Garrido, disse que “a concentração de chuvas em muito pouco espaço de tempo provocou asfixia radicular nas culturas de outono e inverno, sejam cereais ou forragens”.

Por isso, frisou, “aquilo que esperamos é que este seja um mau ano agrícola para os cereais de outono e inverno”.

O mesmo cenário é apontado por António Aires, presidente da Associação de Agricultores do Campo Branco, que tem sede em Castro Verde e abrange este concelho, assim como os de Almodôvar e Ourique e parte dos de Aljustrel e Mértola, todos no distrito de Beja.

“O excesso de água comprometeu as forragens e os fenos para o próximo ano e também a parte do cereal”, disse o dirigente à Lusa, reconhecendo que “há culturas perdidas” nesta zona do território alentejano.

De acordo com António Aires, “há zonas em que já é irreversível a recuperação das culturas, pois perderam-se por encharcamento” dos campos.

Os prejuízos estendem-se também aos efetivos pecuários, uma vez que houve “borregos a nascer debaixo de frio e chuva, acabando por morrer”, revelou António Aires.

“É mais um prejuízo a acumular com os prejuízos que já tínhamos tido com a língua azul”, nos meses de outubro e novembro de 2025, disse.

Também Rui Garrido reconheceu que, “com o excesso de água e frio, muitos agricultores não conseguiam chegar aos seus efetivos” pecuários.

“O resultado foi um aumento muito significativo de mortes [de animais] devido às intempéries”, indicou.

Por isso, continuou o presidente da ACOS, a associação que faz a recolha de cadáveres de pequenos ruminantes na região, os pedidos por parte dos produtores a solicitar este serviço “mais do que duplicaram” face ao ano anterior.

“É um sintoma de um excesso de mortes, nomeadamente de animais jovens – sejam pequenos ruminantes sejam ovinos –, pelo facto de os campos estarem encharcados, de estar frio e de não poderem ser tratados”, reforçou, sem avançar com uma estimativa do total de animais que morreu.

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou a 15 de fevereiro.

 

Comente esta notícia

Este site usa cookies para melhorar a sua experiência. Ao continuar a navegar estará a aceitar a sua utilização.