Há vidas assim...

Um Empreendedor de Sucesso

Hoje, embora já reformado, com o negócio entregue aos filhos, continua com as competências intactas de empreendedor, de que é exemplo a sua presença regular nas reuniões dos empresários amigos do partido “Chega” de André Ventura.

Ele ainda muito novo foi iniciado nas artes do empreendedorismo. O mestre foi o pai, dono de uma pequena mercearia na aldeia onde nasceu, que o iniciou nas diferentes técnicas de ludibriar fregueses e freguesas, as quais iam desde reduzir, por raspagem, o peso dos “pesos” utilizados na balança de dois pratos, até ao engano propositado no troco, passando pela venda de produtos impróprios para consumo.

Formado nesta escola desde muito cedo resolveu montar o seu próprio negócio. Depois de muito pensar, ou seja, de analisar o mercado, optou pelo ramo de compra e venda de velharias. Assim, com uma carrinha de caixa aberta, comprada em quinta mão, passou a percorrer aldeias e montes na procura de moedas e móveis antigos, de santos e objetos de barro e cobre. Comprando parte destas peças por pouco dinheiro e surripiando outras, que depois revendia com uma enorme margem de lucro, rapidamente amealhou capital suficiente para dar um salto qualitativo na sua atividade de empreendedor. O ramo escolhido foi o da construção civil que, no período após a adesão de Portugal à União Europeia, então CEE (Comunidade Económica Europeia), estava em franco desenvolvimento.

Montada a empresa a opção foi a de empregar, com exceção do capataz, mão-de-obra oriunda das antigas colónias portuguesas a quem não fazia contrato, pagando abaixo da tabela e ficando, ainda, com os descontos dos trabalhadores para a segurança social. Durante algum tempo manteve-se nesta atividade, atuando em exclusivo como subempreiteiro de grandes empresas da construção civil que também ia enganando, cortando na quantidade dos materiais utilizados, nomeadamente cimento e ferro, o que conseguia sem dificuldade, untando as mãos aos fiscais das obras, alguns deles, no futuro, homens da sua confiança para o que fosse necessário.

O capital acumulado permitiu-lhe mais um salto como empreendedor, passando ao negócio da especulação imobiliária que acumulava com a de agricultor absentista e de especulador financeiro.

Com escritório em prédio alto de vidros fumados, instalado na cidade grande, a sua atividade era simples, embora mascarada de grande complexidade, como convém para obstar à sua perceção e desmontagem por parte do cidadão comum. Comprava terrenos nos limites dos centros urbanos a preços baixos que, depois, graças aos amigos que tinha nos partidos do chamado “arco da governação”, a quem subsidiava as campanhas eleitorais, eram integrados nos planos diretores municipais como urbanizáveis, com isto subindo em flecha o seu preço no mercado. Aí construía prédios de apartamentos que vendia a preços altamente inflacionados. Parte destes lucros, que eram muitos, eram investidos na bolsa, na compra e venda de ações, e a outra parte na aquisição de grandes herdades no Alentejo de onde, embora não fazendo qualquer tipo de agricultura nem empregando qualquer trabalhador, recebia avultados subsídios a fundo perdido, dados pelo IFADAP no âmbito da PAC (Política Agrícola Comum); dinheiro este que investia na aquisição de carros topo de gama e de apartamentos nas zonas turísticas de Portugal que vendia com uma enorme margem de lucro à classe média deslumbrada com as condições de financiamento colocadas à sua disposição pela banca até à crise de 2008.

Hoje, embora reformado, com o negócio entregue aos filhos, continua com as competências intactas de empreendedor, de que é exemplo a sua presença regular nas reuniões dos empresários amigos do partido “Chega” de André Ventura.

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