Opinião Atual

Para quê a máscara, Gyökeres?

Antes desconhecido, ninguém queria saber dele. Até que pôs a máscara. O que se seguiu é do conhecimento geral: passou para a ribalta e tornou-se o rei do espectáculo - tivemos a grata oportunidade de ver um sueco, com o emblema do Sporting Clube de Portugal ao peito, a correr como um touro viking, nos relvados de Alvalade. Um sueco, com muita raiva e com muito golo, ou… um poema que sabe marcar até aos 90 minutos.

A máscara à qual nos habituou para festejar os golos, tanto pode simbolizar o herói ou o vilão. A bem da verdade, é indiferente, pois o futebol é tal como a política: quem marca é amado; quem falha, é odiado.

Nestes últimos dias todos percebemos que te fartaste desta peça portuguesa e já estás a pensar numa outra companhia de teatro. A tua máscara, aqui, já te pesa e nós, Sportinguistas, ainda alimentámos a esperança que seria apenas…cansaço. Mesmo que fosse mais do que isso, acreditámos que, tal como no campo, irias fazer o que tivesse de ser feito, no tempo certo, com a medida certa, sem necessitares de aplausos.

Mas, não. Ontem, quando decidiste não rumar para terras algarvias com os (ainda) teus companheiros, percebemos que tropeçaste no teu ego, tendo-se instalado um cheiro fétido no ar, que não engana: cheira a jogador que decidiu, sozinho, fazer as malas e optou por não vir aos treinos… nem sequer de chinelos e com ar contrariado, qual funcionário público num mês de Agosto, sem ar condicionado. Desconhecíamos todos que, afinal, o teu bom senso havia deixado Portugal, muito antes de ti, metido num avião low cost, para Inglaterra ou para outro qualquer destino. Parece que deixaste que ganhasse a vaidade… de chuteiras!

Num vídeo que publicaste nas redes sociais escreveste: "No one cared who I was until I put on the mask [Ninguém quis saber quem eu era até que meti a máscara]", citando o vilão Bane da trilogia de Batman. Mas agora que nos importamos, já não queres saber. E tu, mascarado, mesmo com contrato válido, já não queres ser/já não és nosso.

Pergunto-me se a máscara não terá servido, afinal, apenas para esconder o teu verdadeiro rosto: o de uma pessoa (um futebolista) com ambições maiores que um clube de Portugal, com um prévio plano de fuga apressada para Inglaterra, para te “vingares” de não te terem ligado patavina quando por lá andaste na segunda divisão. Lá, onde ritmo acelerado de jogo, intensidade física e competitividade acirrada são maiores… tal como a chuva de dinheiro e os sorrisos a distribuir aos patrocinadores.

Entrega, pois, a tua alma, à Premier League. Se é para ires, vai! Lamento que não tenhas percebido que sair bem é tão importante quanto jogar bem: os clubes passam, mas a reputação fica e a memória dos adeptos pesa. 

Mas vai, vai. Até porque a máscara, que tiraste e que nos permitiu ver bem quem és, ficou caída no relvado.

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