Opinião Atual

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Ouvimos, cada vez mais, falar em sustentabilidade, nessa capacidade de satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações na satisfação das suas.

Enquanto abordagem holística a sustentabilidade considera as dimensões ambiental, social e económica, no seu conjunto, tendo por base a prosperidade duradoura e centralizando o debate e classificação de países de acordo com impacto ambiental, nível de desenvolvimento social e resiliência económica. 

Neste âmbito são medidas as emissões de gases de efeito estufa per capita, assim como a taxa de reciclagem e compostagem, mas também a eficácia da utilização dos recursos naturais, como a água e a energia. É tido em conta o acesso universal à educação, o nível de consciencialização, o acesso à saúde e  saneamento básico, os índices de pobreza e desigualdade social e o nível de qualidade de vida da população. Já no que ao aspecto económico diz respeito, avaliam-se as bases, assentes ou não, nos princípios de sustentabilidade, o investimento em energias renováveis e tecnologias verdes, mas também a criação de emprego e a qualidade do mesmo.  
 
De fácil compreensão será, pois, que num mundo cada vez mais consciente dos desafios ambientais, são os países que adotam melhores práticas sustentáveis e que comprovam ser possível aliar desenvolvimento e preservação ambiental, que emergem como exemplos.
 Líder neste ranking, a Dinamarca é detentora dos índices mais elevados de sustentabilidade, apesar da sua economia industrialmente desenvolvida. E Porquê? 

Porque existe compromisso e consciencialização.

Para os dinamarqueses, a sustentabilidade é cultural, assente em práticas diárias perfeitamente enraizadas, contando com o envolvimento de todos os agentes do país, sejam eles políticos, económicos, instituições ou cidadãos. A meta traçada é conjunta e clara, atingir a neutralidade de CO2 até o ano de 2025 e ser independente de energia fóssil até 2050. 

Isto num país altamente desenvolvido e onde, desde 1980, a economia cresceu 78%, assente em alta tecnologia, industrialização, forte sistema de segurança social, força de trabalho qualificada e produtiva, qualidade de vida, bons salários, semana de 37h de trabalho, baixa percentagem de desemprego, ensino básico, secundário e superior gratuito, competitividade das empresas, moeda estável e baixos índices de corrupção e criminalidade.

Claro está que o programa para a sustentabilidade foi muito bem definido e os seus objectivos muito claros. Mas não só, o governo dinamarquês foi capaz de compreender que o sucesso passaria pelo nível de compromisso e consciencialização que conseguisse alcançar e isso implicaria investimento. Conseguindo ter como aliada a iniciativa privada, promoveu fortes campanhas de reeducação, com resultados visíveis no envolvimento e participação dos cidadãos nos planos nacionalmente definidos.

A partir daqui, e tendo sido feito o investimento nas soluções, o poder da mudança foi transferido do governo para cada um dos cidadãos dinamarqueses que, não raras vezes, afirmam que “o respeito não carece de fiscalização nem punição”. 

 Em termos práticos é possível avaliar a redução inicial de 21% de emissões de CO2 entre 2005 e 2011 e o grande investimento em parques eólicos, onde é gerada mais de 50% da energia elétrica dinamarquesa. Mas também a limpeza das ruas, a ética individual, os padrões de consumo, a utilização da bicicleta como principal meio de transporte, a redução de plástico e a alta taxa de reciclagem. Também o consumo de água é consciente, em qualquer actividade, até mesmo para suprir necessidades humanas, uma vez que se privilegia a qualidade de água da rede em detrimento do consumo engarrafado.

Vejamos então o caso específico de Copenhaga que assumiu o compromisso de se tornar na primeira capital mundial a atingir a neutralidade carbónica, através do programa KBH 2025, categorizando os esforços em quatro grupos distintos: consumo de energia; produção de energia; mobilidade verde e transformar a cidade numa empresa orgânica e climática. 
 
Se este último ponto levanta curiosidade, avanço que uma das medidas adoptadas foi a plantação de árvores de fruto em parques municipais e ruas da cidade, assumindo o propósito de pomar comunitário e reflorestação dos espaços.

Também a escolha de alimentos e produtos orgânicos lidera, sendo, a Dinamarca, o país líder na sua produção. Assumir-se enquanto país orgânico garante a redução de produtos químicos, dependência de petróleo, conservação dos solos e aquíferos.  

No que respeita a transportes, as iniciativas passaram pelo aumento de ciclovias, aproximadamente 390 km e parques de estacionamento para bicicletas - que hoje ascendem a 600.000 e ultrapassam o número de viaturas em circulação - autocarros híbridos e elétricos, bem como a promoção da redução da utilização de veículos particulares que, reforce-se, são maioritariamente elétricos. Também o reforço e modernização da rede de transportes públicos e promoção da alteração na sua matriz de utilização veio contribuir para uma mais rápida e eficiente mudança nos hábitos de deslocação dos habitantes de Copenhaga. E a verdade é que os níveis de poluição e ruído são significativamente menores, não existem horas de ponta, filas de trânsito são inexistentes, existem regras de circulação e sinalização nas ciclovias e não há roubo ou furto de bicicletas.

 À semelhança do programa nacional dinamarquês, KBH2025 é o compromisso e envolvimento conjunto de autoridades locais, empresas, universidades, serviços e cidadãos para a transformação e sustentabilidade em Copenhaga. O resultado é visível e facilmente comprovado numa pequena estadia na cidade.


Faz-me isto lembrar uma célebre frase de Chip Heath no seu livro “Switch: How to Change Things When Change Is Hard”: “A good change leader never thinks, “Why are these people acting so badly? They must be bad people.” A change leader thinks, “How can I set up a situation that brings out the good in these people?”.


Pensemos sobre isso. 

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