Trabalhadores da Misericórdia de Serpa sem subsídio de férias e mais dívidas em atraso
A Misericórdia de Serpa não paga o subsídio de férias deste ano e, ainda, deve aos trabalhadores os de Natal de 2024 e 2025 e retroativos salariais desde novembro de 2022, denunciou hoje um sindicato.
Em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas lembrou que os funcionários da Santa Casa da Misericórdia (SCM) de Serpa, no distrito de Beja, continuam “sem receber o subsídio de Natal de 2024, o subsídio de Natal de 2025, os retroativos salariais desde novembro de 2022 até esta data”.
E, a somar a isso, “são agora novamente confrontados com a falta de pagamento do subsídio de férias de 2026”, pode ler-se.
Contactado pela agência Lusa, o dirigente do sindicato Alcides Teles assinalou que “acresce que ainda não existe tabela salarial para 2026”.
“Mas, quando houver, a mesma terá retroatividade a janeiro e a única garantia que os trabalhadores têm é que esses retroativos também não vão ser pagos, acumulando mais dívida", avisou.
Por isso, continuou, “está seguramente em risco a situação dos idosos e utentes das diversas respostas [da SCM de Serpa], devido à exaustão dos trabalhadores”.
A atual situação é ainda mais preocupante dada a "falta de resposta das diversas entidades" do distrito, criticou, apontando ‘o dedo’ nomeadamente à Segurança Social, Autoridade para as Condições do Trabalho, Câmara e Serpa e Diocese de Beja.
O dirigente sindical frisou que estas instituições são "conhecedoras da situação", mas não assumem "a necessidade de resolução" da mesma.
Já o sindicato exigiu hoje "resposta a todas as entidades com responsabilidade, seja por darem posse a uma mesa administrativa [da SCM de Serpa], seja a quem financia a instituição com protocolos de cooperação, seja a quem deveria fiscalizar as condições de trabalho [ou] a quem, sendo eleito, tem obrigação de se preocupar com os cidadãos de Serpa, sejam utentes [ou] trabalhadores".
"Muito fala o Governo da importância do setor social”, mas esta SCM é “um exemplo de como este setor funciona e de como as entidades públicas se comportam”, criticou o sindicalista.
Questionada pela Lusa, a provedora da Santa Casa da Misericórdia de Serpa, Maria Isabel Estevens, admitiu que os funcionários "poderão vir a ser confrontados com a falta [de] pagamento" do subsídio de férias deste ano, pois ainda não foi possível regularizar os valores mais antigos em atraso, como os subsídios de Natal.
"A situação da Santa Casa continua a ser extremamente complexa” e a falta de pagamento “não é uma questão de decisão por parte da mesa, [mas] uma questão de não existir capacidade de tesouraria para cumprir com aquilo que é o direito aos trabalhadores", disse.
Segundo a provedora, a situação é "angustiante" e tem-se acentuado cada vez mais devido ao "decréscimo de receitas" da instituição.
"Continuamos insistentemente à procura de uma solução que seja uma solução cada vez mais emergente e mais urgente, mas ainda não a conseguimos implementar", reconheceu.
Em maio, o PCP e o Bloco de Esquerda (BE) questionaram o Governo sobre a situação de "pré-rutura" e os sucessivos encerramentos da urgência do Hospital de São Paulo, em Serpa, da responsabilidade da Santa Casa, exigindo explicações.
O PCP inquiriu, entre outras questões, quais as medidas previstas para solucionar os encerramentos e os salários em atraso dos profissionais "face à incapacidade demonstrada pela Santa Casa da Misericórdia de Serpa para assegurar os meios para o funcionamento do hospital".
E o BE perguntou a ministra da Saúde que "diligências está a desenvolver, em articulação com a Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), para assegurar a estabilidade das equipas de médicos e enfermeiros" do hospital e que "medidas de contingência estão definidas para garantir o acesso a cuidados não programados à população da margem esquerda do Guadiana" quando os serviços estão encerrados, entre outros assuntos.
Comente esta notícia
Destaques
Investimento de 400ME coloca mina de Aljustrel “na linha da frente da mineração”
Feira do Campo de Aljustrel pode ganhar dimensão mineira e energética
Praia Fluvial de Albergaria dos Fusos hasteou Bandeira Azul e Bandeira Praia Acessível
