PSD pede audição da CCDR e Alentejo 2030 sobre reprogramação de fundos europeus
O PSD requereu a audição urgente no parlamento do presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo e do vogal executivo do programa Alentejo 2030 sobre a discórdia de autarcas com a reprogramação de fundos europeus.
Através de um requerimento dirigido ao presidente da Comissão de Economia e Coesão Territorial, o grupo parlamentar do PSD pede estas audições para “ser cabalmente esclarecido o enquadramento do Investimento Territorial Integrado do Alentejo”.
No documento, enviado à Lusa pelos sociais-democratas, os deputados realçam “a preocupação e discordância unânime” das comunidades intermunicipais (CIM) do Alentejo Central e do Baixo Alentejo com a proposta de reprogramação dos respetivos Contratos de Desenvolvimento e Coesão Territorial (CDCT).
“Esta tomada de posição representa a oposição de 27 municípios da região do Alentejo, cerca de metade dos municípios abrangidos pelo programa regional Alentejo 2030, o que lançou naturalmente algum alarme social e económico quanto à sua execução e às novas prioridades propostas pela sua autoridade de gestão”, salientam.
O grupo parlamentar do PSD refere que as áreas da saúde, equipamentos sociais, educação, requalificação urbana e patrimonial e habitação “são há muito definidas como prioritárias pelas CIM e reclamadas pelas populações e autarcas da região”.
Por isso, “torna-se necessário e urgente esclarecer de forma clara os contornos da situação, de forma a manter o financiamento das áreas estratégicas prioritárias e assegurar uma aplicação eficaz dos fundos”, pode ler-se no requerimento.
O PSD quer audições com o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo e do programa Alentejo 2030, Ricardo Pinheiro, e do vogal executivo do Alentejo 2030, Tiago Teotónio Pereira.
Num comunicado divulgado no final de abril, a CIM do Alentejo Central manifestou-se contra a proposta de reprogramação do CDCT para este território, aludindo à “redução significativa de verbas em tipologias consideradas prioritárias”.
Segundo esta CIM, também são preocupações “a reafetação de recursos para áreas que não foram objeto de pedido de reforço e os impactos negativos das reduções previstas na reabilitação urbana”, que podem “comprometer intervenções já planeadas”.
A CIM do Baixo Alentejo, numa tomada de posição enviada à Lusa em maio, declarou “total desagrado e discordância” com a reprogramação intercalar do Alentejo 2030, acusando o Governo de ter tomado uma decisão “unilateral, precipitada e inoportuna”.
“Depois de iniciar o CDCT com um relevante atraso de quase um ano e meio, agora, basicamente, o Governo vem impor uma ‘mudança das regras a meio do processo’, causando com esta decisão um enorme constrangimento às autarquias, face às suas expectativas e tudo o que tinham planeado”, disse então à Lusa o presidente do conselho intermunicipal desta CIM, António José Brito.
Em causa está, referiu na altura o também autarca de Castro Verde, a decisão do Governo de “impor cortes de financiamento em áreas fundamentais”, como “educação, equipamentos sociais e de saúde ou projetos de requalificação urbana”.
O programa Alentejo 2030 e as quatro CIM da região e a da Lezíria do Tejo assinaram, em março de 2024, os respetivos CDCT, num total de 440,9 milhões de euros.
A verba, indicou na altura o então presidente da CCDR do Alentejo, António Ceia da Silva, seria para aplicar em projetos que “vão desde o empreendimento, a área da requalificação urbana, a área do ambiente, […] do circuito urbano da água, os resíduos, a área do património, da cultura, do turismo”.
Comente esta notícia
Destaques
CCDRAlentejo diz que fábrica de bagaço de azeitona nunca incumpriu parâmetros medidos
Utilização do espaço aéreo pela Força Aérea impede Escola de Pilotos em Beja- Gonçalo Valente
Autarca de Ferreira do Alentejo quer reconversão das indústrias de bagaço de azeitona

