Portugal tem dificuldade em atrair e reter enfermeiros nos hospitais -Estudo
Um estudo que envolveu mais de 1.000 enfermeiros em Portugal concluiu que existe a “necessidade de reforçar” as condições de trabalho e dificuldades por parte das instituições em atraírem e manterem os profissionais.
Um estudo que envolveu mais de 1.000 enfermeiros em Portugal concluiu que existe a “necessidade de reforçar” as condições de trabalho e dificuldades por parte das instituições em atraírem e manterem os profissionais.
Em comunicado, a Universidade de Évora (UÉvora) indica que este estudo foi desenvolvido junto de 1.004 enfermeiros de 29 organizações hospitalares públicas e privadas em Portugal, e que “revela as dificuldades na atração e retenção” destes profissionais nos hospitais portugueses.
De acordo com a UÉvora, a investigação foi realizada por Telma Quaresma, da Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve e do Comprehensive Health Research Centre, Maria do Céu Marques, da UÉ, Escola Superior de Enfermagem São João de Deus e do Comprehensive Health Research Centre, Liliana Mota, da Escola Superior de Saúde do Norte da Cruz Vermelha Portuguesa e do RISE-Saúde da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
No documento é sublinhado que, “apesar da importância atribuída” à liderança e à gestão de talentos, as práticas organizacionais nesta área foram “avaliadas de forma menos favorável”, evidenciando a “necessidade de reforçar” a valorização profissional, as oportunidades de desenvolvimento e as condições de trabalho.
De acordo com a UÉ, o objetivo da investigação passou por “compreender quais os fatores” que contribuem para a gestão de talentos em enfermagem, que “práticas são utilizadas” pelas organizações e quais os “principais desafios” relacionados com a atração e a retenção dos profissionais.
“Os resultados revelaram uma avaliação globalmente positiva dos fatores associados à gestão de talentos, com destaque para as competências de liderança. Em contrapartida, as práticas organizacionais obtiveram avaliações menos favoráveis, sendo os indicadores de atração e retenção aqueles que apresentaram os resultados mais baixos”, lê-se no documento.
Para os promotores do estudo, estes dados “sugerem que reconhecer a importância dos profissionais não é suficiente” e que “é necessário” traduzir esse reconhecimento em práticas concretas.
“A valorização do trabalho realizado, as oportunidades de desenvolvimento profissional, a progressão na carreira, uma liderança de apoio e melhores condições de trabalho são aspetos relevantes para reforçar a capacidade das organizações para atrair e manter enfermeiros”, defendem.
Os promotores do estudo recordam ainda que foi publicado na revista Nursing Reports, um estudo que “reforça a importância” de Portugal desenvolver “estratégias integradas" de gestão de talentos, capazes de contribuir para a retenção dos profissionais e para a estabilidade das equipas.
“Contudo, por se tratar de um estudo transversal, os resultados não permitem estabelecer relações de causa e efeito, nem concluir que estas dificuldades sejam responsáveis pela saída de enfermeiros para outros países”, concluem.
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