Em comunicado, a Direção Regional do Alentejo (DRA) do PCP defende que a nomeação do novo Conselho Diretivo “ficará marcada pelo desrespeito pelo poder local democrático, pela região e pelas suas instituições”, acusando PS e PSD de terem rompido com práticas institucionais que, segundo os comunistas, marcaram décadas de relacionamento na região.

A DRA do PCP sublinha que, dos 1.284 autarcas que integravam o colégio eleitoral, 350 optaram por não votar, 210 votaram em branco e 28 anularam o voto. No total, 588 eleitos autárquicos — 44,7% do colégio — “decidiram não legitimar o processo com o seu voto ou, votando, não manifestar apoio à solução previamente decidida por PS e PSD”.

Para os comunistas, esta percentagem não pode ser reduzida a uma simples abstenção, constituindo antes “um posicionamento político consciente de protesto institucional”. O partido acrescenta que a dimensão dos não votantes e dos votos brancos ou nulos é “um facto político importante e inédito” que PS e PSD “não podem ignorar”, alertando para consequências políticas na região.

O PCP dirigiu ainda um apelo às personalidades e dirigentes que venham a integrar o Conselho Regional da CCDR Alentejo, instando-os a expressarem a condenação pelo que considera ser o desrespeito pela autonomia de decisão do órgão e a recusa de uma “instrumentalização partidária”, em particular no processo de eleição do segundo vice-presidente.

Nas eleições indiretas realizadas na segunda-feira, Ricardo Pinheiro foi eleito presidente da CCDR Alentejo com 74,5% dos votos, sucedendo a António Ceia da Silva, segundo dados divulgados pela Direção-Geral das Autarquias Locais. Votaram 934 autarcas (72,7% dos inscritos), tendo sido contabilizados 210 votos em branco (22,4%) e 28 votos nulos (2,9%).

No mesmo ato eleitoral, os candidatos propostos por PS e PSD para as cinco CCDR do país foram eleitos por colégios de autarcas. De acordo com o Ministério da Economia e da Coesão, foram escolhidos Álvaro Santos para a CCDR Norte, Ribau Esteves para o Centro, Teresa Mourão Almeida para Lisboa e Vale do Tejo, Ricardo Pinheiro no Alentejo e José Apolinário no Algarve.

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