Em comunicado, a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) indicou que este abrigo “é, atualmente, o mais importante abrigo conhecido em Portugal” para esta espécie, classificada como “Vulnerável” em termos de conservação.

Segundo a EDIA, o abrigo de morcego-rato-grande (Myotis myotis), localizado na área de influência do EFMA, alberga uma colónia estimada em mais de 10.000 indivíduos, assumindo “uma relevância ímpar para a conservação da espécie a nível nacional”.

“As contagens mais recentes, realizadas em junho, confirmam a dimensão excecional da colónia instalada numa antiga mina de água, designada por Abrigo Beja I”, salientou.

Além desta espécie, realçou a EDIA, o abrigo acolhe outras três: morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersii), morcego-de-ferradura-mourisco (Rhinolophus mehelyi) e morcego-de-ferradura-grande (Rhinolophus ferrumequinum), todas com estatuto de conservação vulnerável.

“A existência deste abrigo foi identificada pela EDIA em abril de 2023, no decurso de uma ação de fiscalização destinada a verificar o cumprimento das medidas previstas nas Declarações de Impacte Ambiental”, explicou.

A empresa do Alqueva adiantou que, nessa ocasião, “foi observada, através do poço respirador da mina, uma concentração significativa de morcegos”, o que motivou “o desenvolvimento de ações de monitorização e conservação específicas que culminaram agora na confirmação da importância deste abrigo”.

“Esta descoberta reforça o conhecimento científico sobre a fauna presente na área de influência do EFMA e evidencia a importância da monitorização ambiental desenvolvida pela EDIA, contribuindo para a conservação da biodiversidade e para a compatibilização entre a atividade agrícola e a preservação dos valores naturais”, frisou.

Assinalando que se estima que a colónia do Abrigo Beja I “consuma mais de 100 quilos de insetos por noite”, a EDIA destacou o “importante papel” deste abrigo para o “equilíbrio ecológico e controlo natural de pragas e doenças no território agrícola de Alqueva”.

“Este abrigo integra a rede de 21 abrigos de morcegos monitorizados pela EDIA, em parceria com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), cujas colónias consomem, em conjunto, mais de 600 quilos de insetos por noite, prestando um relevante serviço e contributo para a sustentabilidade dos ecossistemas agrícolas”, acrescentou.

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