Legislativas: Último dia de Oliveira como rosto da CDU foi em Beja e juntou dois "Joões" nas ruas
O dirigente comunista João Oliveira rumou a Beja no último dia à frente da campanha eleitoral da CDU e caminhou pelas ruas, distribuindo ‘flyers’ e conversando com populares para dar um empurrãozinho à recandidatura de João Dias.
“Abre lá a mão! Abre lá a mão! Queres [um aperto de mão] à esquerda?”, disse o proprietário da Leitaria Flórida a João Oliveira, quando o dirigente comunista o tentou cumprimentar com o punho, o método popularizado por causa da pandemia, logo no início da Rua das Portas de Mértola.
Em Beja o palco foi de João Dias, deputado comunista à Assembleia da República que agora procura a reeleição e quiçá acrescentar mais um deputado deste círculo eleitoral à bancada. Para isso vai ser preciso roubar um mandato ao PS, que neste distrito elegeu os outros dois deputados há dois anos.
“O que é que diz do nosso candidato? É gente de confiança ou, não é?”, perguntou João Oliveira a uma funcionária de um oculista, que visivelmente envergonhada pela presença mediática que se juntou à porta do estabelecimento respondeu: “É, é!”.
Não houve tempo para grandes conversas. A comitiva da CDU foi percorrendo a rua com folhetos na mão, com as propostas da coligação, e entregou-os a quem os aceitou.
Uma rua com pouco movimento no centro da cidade rapidamente ficou cheia de pessoas, entre os que acompanhavam a comitiva de bandeira na mão, a maioria, e os curiosos que iam parando para ver o aparato. Pelo meio, algumas pessoas furavam pela comitiva para tentar um aperto de mão ou um abraço com um dos “Joões”.
E no auditório virado de frente para a Ovibeja, que recebeu o comício do final do dia, João Oliveira quis deixar bem claro que “um deputado da CDU vale mais do que dois do PS”.
E como o palco era de João Dias, o deputado, natural de Serpa, mesmo ali ao lado, criticou a atuação dos outros dois deputados do distrito, que são socialistas.
“Quando hoje saímos à rua e vemos os cartazes a dizer que 'Juntos conseguimos e seguimos'… Juntos? Mas juntos com quem? Se o povo quer uma coisa e defendem outra. Isso não é estar junto. Isso não é conseguir aquilo de que as pessoas precisam”, apontou.
A “convergência” tem sido palavra recorrente no discurso de João Oliveira na última semana. A CDU lançou o desafio ao PS e quer que o partido responda se está disponível para novas convergências no pós-eleições ou se as recusam.
No entanto, João Dias optou por evidenciar a falta de convergência que disse que houve nos últimos anos no parlamento, em particular quando se discutiam assuntos importantes para a população deste distrito.
A “reversão do hospital de Serpa para a esfera pública”, por exemplo, é um assunto que João Dias diz ser da maior importância para quem vive naquela cidade.
No final de uma lista de exemplos, o deputado concluiu: “O PCP trabalhou pelos dois deputados do PS que mais deviam ter feito” por Beja.
De João em João, a campanha da CDU vai avançando e caminha para o decisivo 30 de janeiro, dia das eleições legislativas. O dia foi de João Dias e o último de Oliveira a substituir o secretário-geral do PCP. João Oliveira regressa hoje para a campanha em Évora, círculo eleitoral por onde é eleito desde 2005, e João Ferreira volta como o rosto temporário, depois de recuperar da covid-19.
Ferreira só deverá fazê-lo por um dia, já que Jerónimo de Sousa deverá voltar amanhã, para finalizar a volta da Coligação Democrática Unitária e o “combate eleitoral”, expressão predileta do secretário-geral para descrever as eleições.
Em 2019, a CDU obteve 22,80% dos votos, ou seja, 14.655 e elegeu um deputado em Beja. A diferença para o PS foi de 11.506 votos, de acordo com as informações disponibilizadas pelo Ministério da Administração Interna.
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