Empresas mineiras de Neves-Corvo e Aljustrel querem avançar com novas prospeções
As empresas concessionárias das minas de Neves-Corvo e de Aljustrel, no distrito de Beja, têm em curso pedidos de atribuição de direitos de exploração experimental de novos depósitos minerais metálicos, ambos em fase de consulta pública.
Foto: Nelson Patriarca
Os pedidos foram apresentados à Direção-Geral de Energia e Geologia pela Boliden Somincor, concessionária da mina de Neves-Corvo, no concelho de Castro Verde, e pela ALMINA – Mina dos Alentejo, proprietária da mina de Aljustrel.
No caso da Boliden Somincor, o pedido diz respeito ao depósito de cobre, zinco, chumbo, estanho, prata, ouro e outros metais associados denominado ‘Neves’, que abrange os concelhos de Castro Verde, Almodôvar e Mértola.
“Com a atribuição dos direitos de exploração experimental da área de Neves, a Boliden Somincor pretende dar continuidade à aplicação de metodologias de prospeção e pesquisa mineral, com vista à avaliação do potencial geológico-mineiro desta área”, revelou à agência Lusa fonte da empresa.
A mesma fonte acrescentou que “os resultados obtidos poderão, na eventualidade de uma nova descoberta mineral de valor economicamente viável, contribuir para o prolongamento da vida útil da mina de Neves-Corvo e, consequentemente, para a longevidade da atividade da empresa”.
O processo está em consulta pública até 01 de junho e, de acordo com a informação disponível no portal Participa.pt, consultada pela Lusa, a Boliden Somincor tem previsto um plano de trabalhos a desenvolver pelo período inicial de três anos, em que serão efetuados 5.000 metros de perfuração, num investimento avaliado em um milhão de euros.
Já o pedido apresentado pela ALMINA é relativo à área denominada ‘Albernoa’, também referente a depósitos minerais de cobre, zinco, chumbo, ouro, prata e outros metais associados e abrange os concelhos alentejanos de Aljustrel, Beja, Castro Verde e Mértola.
Neste âmbito, está prevista a realização de sondagens carotadas, num total mínimo de 25.000 metros, a par de diversos estudos de caracterização geológica, geofísica, geoquímica, mineralógica e metalúrgica.
Os trabalhos previstos representam um investimento que pode ascender, num total de cinco anos, a 9,2 milhões de euros.
Estas prospeções poderão “permitir a identificação de novas ocorrências minerais, bem como o aprofundamento do conhecimento das estruturas mineralizadas já conhecidas, contribuindo para a avaliação da sua viabilidade económica”, disse fonte da empresa.
Na sequência destes pedidos, as duas empresas mineiras vão realizar, ao longo do próximo mês de maio, diversas sessões públicas de esclarecimento nos concelhos de Aljustrel, Almodôvar, Beja, Castro Verde e Mértola.
A mina de Neves-Corvo produz, sobretudo, concentrados de cobre e de zinco, assim como prata e chumbo.
Trata-se da maior mina de zinco na Europa e a sexta maior de cobre também no continente europeu, tendo cerca de 2.000 trabalhadores.
A mina alentejana tem como concessionária a empresa Boliden Somincor, depois de ter sido adquirida pela sueca Boliden à Lundin Mining, juntamente com a mina de Zinkgruvan, na Suécia, por cerca de 1,44 mil milhões de euros, num negócio concretizado a 16 de abril de 2025.
Por seu lado, a mina de Aljustrel produz cobre, zinco e chumbo, contando cerca de 1.500 trabalhadores, entre funcionário próprios e empreiteiros.

