Competitividade e Inovação no Alentejo interior
A Terras Dentro-Associação para o Desenvolvimento Integrado, realizou um Webinar sobre Competitividade e Inovação no Alentejo interior. Refletir sobre os atuais desafios às políticas territoriais de desenvolvimento em meio rural e a relevância da liderança estratégica, capacitação organizacional e a dinamização de redes de atores foi o principal objetivo.
Raúl
Lopes, Professor do ISCTE-IUL, foi o orador convidado, e deixou logo um aviso
claro aos participantes, “a chave da competitividade hoje, é a capacidade de
inovação e a capacidade de incorporar conhecimento daquilo que se produz”.
Olhando para o papel da Globalização, e o seu impacto em regiões como o Alentejo, Raúl Lopes afirmou ser “um processo pluridimensional onde nem sempre é fácil estabelecer diálogo sobre este assunto porque os interlocutores falam linguagens diferentes”. E, devem entender, que a “globalização não é uma coisa simples, não é só comprar e vender no mercado internacional. Quando falamos de globalização, falamos de um novo paradigma da organização da economia mundial, um paradigma mais complexo onde os sistemas se interconectam”.
Segundo o especialista em Economia do Território, tendemos a olhar para a globalização mais como a afirmação de um conjunto de Mega empresas, as grandes multinacionais americanas ou mesmo alemãs, “mas quando fazemos um zoom sobre elas, vamos perceber que elas estão ancoradas territorialmente e não dispensam um forte relacionamento com o seu território de inserção.”
Mas ao lado destas megaempresas também encontramos espaço para pequenas unidades de produção, “são segmentos de atividade competitivos à escala mundial devido às dinâmicas de organização territorial, como por exemplo os vinhos do Alentejo, considerados como dos melhores do mundo, o que tem a ver com características específicas que emergem do território e dinâmicas organizacionais dos atores que permitiram alavancar a produção local para a colocar no mercado mundial e isto só acontece porque existe globalização, se assim não fosse, continuaríamos em mercado fechado”, afirmou o Professor Raúl Lopes.
Depois da globalização não podemos falar em competitividade como se falava, desde logo porque se alterou o contexto. “Hoje, em dia as regiões não estão a competir com a sua região vizinha, mas sim à escala global com qualquer região que no contexto mundial tenha uma estrutura competitiva que a torne concorrente. Nós, hoje, temos que deixar de olhar para a região que está ao nosso lado, e olhar para a forma como podemos tirar oportunidades do mundo, ou como as dinâmicas da economia mundial condicionam as nossas apostas estratégicas. Ou seja, segundo Raúl Lopes, a globalização alterou radicalmente a lógica de suporte da vida das empresas a três níveis diferentes, mas complementares. Alterou o mercado de referência, o conceito de tempo e alterou ainda a lógica de gestão.
“Hoje em dia, mesmo que uma empresa não aposte na exportação, temos que nos preparar para enfrentar a concorrência mundial, porque as empresas de outros continentes virão colocar os seus produtos à venda na nossa rua. E, portanto, dessa forma sofremos essa concorrência mesmo que não se exporte”, diz o Professor Raúl Lopes.
A questão fundamental não é saber produzir, é saber vender no mercado global. Raúl Lopes, olha para o mercado do Alentejo e diz que “quem definir as suas estratégias na base de informação regional e local está condenado a sofrer muitos dissabores, porque o que comanda a dinâmica da procura das empresas nas mais variadas áreas, é a dinâmica do mercado mundial”. O desafio que se coloca às regiões não é o de concorrerem com as regiões vizinhas, mas cooperarem entre si. Mais do que homogeneizar, é preciso valorizar a diversidade e fazer dela um fator de coesão territorial.
Fernando
Romba, o Secretário Executivo da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo
(CIMBAL) nos comentários à intervenção do Professor Raúl Santos, salientou que
no Alentejo o “que faz falta é juntar as pontas soltas. Temos aqui muitas
infraestruturas e de facto o que falta às vezes para o território, é ter uma
estratégia que nos diga por onde ir e de facto cumprirmos essa estratégia”.
Fernando Romba deixou ainda as pistas para esta década da CIMBAL as quais vão ser à volta da agricultura e da agroindústria, do turismo e ainda da atividade mineira na região.
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