Os prejuízos causados pelas intempéries, a Reforma da PAC pós-2027 e o Acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul são as principais questões que preocupam os homens da terra.

No que toca aos prejuízos “avultadíssimos” provocados pelas intempéries, que devem ultrapassar os mil milhões de euros, a CNA considera que  “as  medidas até agora anunciadas estão muito longe de responder às necessidades dos agricultores: as  linhas de crédito não são solução, a ajuda simplificada fica pelos 10 mil euros e é limitada a parte do país;  o restabelecimento do potencial produtivo vai ser paga pelo PEPAC, programa já fortemente  comprometido.”

A CNA vai entregar ao Primeiro-Ministro e à Comissão de Agricultura da Assembleia  da República um conjunto de reclamações e propostas que de facto apoiem os agricultores nos seus  rendimentos e reposição da capacidade produtiva.

Quanto à reforma da PAC pós-2027, a CNA critica que as propostas apresentadas pela Comissão Europeia, desde logo pelo orçamento disponível que, mesmo depois das últimas propostas, em termos reais, a agricultura nacional vai perder apoios. Mas também pela manutenção de uma política que favorece essencialmente o grande agronegócio e com reduzidos, ou mesmo inexistentes, meios de regulação do mercado.

Relativamente ao acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, a CN A acredita que vai ter impactos muito negativos na produção nacional, sobretudo nos sectores da carne (bovina, suína e aves), frutas, cereais, leite ou mel. De acordo com a CNA “ao permitir a entrada em Portugal, e na UE, de milhares de toneladas de produtos sem tarifas, com menores custos de produção, provenientes de explorações de muito maior dimensão e sem estarem sujeitos ao cumprimento das mesmas regras sanitárias, ambientais e sociais, o acordo será mais um fator a pressionar em baixa os preços pagos à produção nacional e a degradar os rendimentos dos agricultores.”

A CNA vai ainda manifestar a sua preocupação face às “negociações em curso para novos acordos comerciais em que a agricultura é, mais uma vez, utilizada como moeda de troca, nomeadamente no acordo com a Austrália, que prevê a entrada sem tarifas na Europa de milhares de toneladas de carne de bovino e ovinos.”

Segundo a CNA, “os agricultores portugueses, já tão prejudicados com baixos rendimentos, custos de produção elevados e, mais recentemente, com os avultados prejuízos causados pelas intempéries, não aguentam mais sacrifícios”. É ainda acrescentado que é preciso “exigir ao Governo a defesa da produção nacional, do Mundo Rural e da soberania alimentar do país.”

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