CNA alerta para situação difícil dos agricultores
Delegações de agricultores da CNA-Confederação Nacional da Agricultura vão concentrar-se, na próxima quarta-feira, em Lisboa para alertar para a “situação difícil os agricultores”. O protesto, para exigir ao Governo português e demais órgãos de soberania a salvaguarda da agricultura e dos agricultores, está marcado para as 15.00 horas junto à Assembleia da República.
Os prejuízos causados pelas intempéries, a Reforma da PAC pós-2027 e o Acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul são as principais questões que preocupam os homens da terra.
No que toca aos prejuízos “avultadíssimos” provocados pelas intempéries,
que devem ultrapassar os mil milhões de euros, a CNA considera que “as medidas
até agora anunciadas estão muito longe de responder às necessidades dos
agricultores: as linhas de crédito não
são solução, a ajuda simplificada fica pelos 10 mil euros e é limitada a parte
do país; o restabelecimento do potencial
produtivo vai ser paga pelo PEPAC, programa já fortemente comprometido.”
A CNA vai entregar ao Primeiro-Ministro e à Comissão de Agricultura da Assembleia da República um conjunto de reclamações e propostas que de facto apoiem os agricultores nos seus rendimentos e reposição da capacidade produtiva.
Quanto à reforma da PAC pós-2027, a CNA critica que as propostas apresentadas pela Comissão Europeia, desde logo pelo orçamento disponível que, mesmo depois das últimas propostas, em termos reais, a agricultura nacional vai perder apoios. Mas também pela manutenção de uma política que favorece essencialmente o grande agronegócio e com reduzidos, ou mesmo inexistentes, meios de regulação do mercado.
Relativamente ao acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, a CN A acredita que vai ter impactos muito negativos na produção nacional, sobretudo nos sectores da carne (bovina, suína e aves), frutas, cereais, leite ou mel. De acordo com a CNA “ao permitir a entrada em Portugal, e na UE, de milhares de toneladas de produtos sem tarifas, com menores custos de produção, provenientes de explorações de muito maior dimensão e sem estarem sujeitos ao cumprimento das mesmas regras sanitárias, ambientais e sociais, o acordo será mais um fator a pressionar em baixa os preços pagos à produção nacional e a degradar os rendimentos dos agricultores.”
A CNA vai ainda manifestar a sua preocupação face às “negociações em curso para novos acordos comerciais em que a agricultura é, mais uma vez, utilizada como moeda de troca, nomeadamente no acordo com a Austrália, que prevê a entrada sem tarifas na Europa de milhares de toneladas de carne de bovino e ovinos.”
Segundo a CNA, “os agricultores portugueses, já tão prejudicados com baixos rendimentos, custos de produção elevados e, mais recentemente, com os avultados prejuízos causados pelas intempéries, não aguentam mais sacrifícios”. É ainda acrescentado que é preciso “exigir ao Governo a defesa da produção nacional, do Mundo Rural e da soberania alimentar do país.”
Comente esta notícia
Destaques
CCDRAlentejo diz que fábrica de bagaço de azeitona nunca incumpriu parâmetros medidos
Utilização do espaço aéreo pela Força Aérea impede Escola de Pilotos em Beja- Gonçalo Valente
Autarca de Ferreira do Alentejo quer reconversão das indústrias de bagaço de azeitona
