A cerimónia marcou também a passagem simbólica do testemunho da Cidade Europeia do Vinho 2025, atribuída à cidade espanhola de Cariñena, para o Baixo Alentejo, num momento que reuniu autarcas, produtores, entidades regionais, representantes institucionais e agentes do setor vitivinícola e turístico.

Na abertura da sessão, o presidente da Câmara Municipal de Beja, Nuno Palma Ferro, sublinhou que o vinho “é um símbolo de celebração e de encontro entre pessoas”, lembrando que cada vinho transporta história, cultura e respeito pela terra. O autarca destacou que a distinção de Cidade Europeia do Vinho permitirá reforçar a projeção turística e internacional do território, valorizando o enoturismo, os produtos regionais e a identidade cultural do Baixo Alentejo.

Segundo o presidente do município anfitrião, o programa agora iniciado percorrerá os 13 concelhos da CIMBAL até janeiro de 2027, promovendo a diversidade cultural e vitivinícola da região e reforçando a ligação entre produtores e consumidores. “Hoje unimos o passado que nos orgulha ao futuro que nos inspira”, afirmou.

O primeiro secretário da CIMBAL, Fernando Romba, destacou que a escolha do Baixo Alentejo resultou de um processo competitivo que envolveu candidaturas de outras regiões do país, salientando a importância do setor vitivinícola na economia regional. No território existem cerca de 65 produtores, responsáveis por uma parte significativa da produção de vinho do Alentejo.

O responsável recordou que a candidatura assentou em quatro pilares principais: as pessoas, os viticultores e produtores, a sustentabilidade e o património cultural associado ao vinho. Neste contexto, destacou o papel do vinho de talha, tradição com mais de dois mil anos fortemente enraizada nos concelhos de Cuba e Vidigueira, atualmente reconhecida no inventário nacional do património cultural imaterial e em processo de candidatura à UNESCO.

Fernando Romba apresentou ainda algumas das iniciativas previstas para o ano, entre as quais o Congresso Mundial do Enoturismo Sustentável, que decorrerá em Beja no início de junho, a presença reforçada do vinho na OviBeja, eventos culturais e gastronómicos em vários concelhos, festivais temáticos, concertos em adegas, atividades ligadas ao turismo náutico no Alqueva e iniciativas que cruzam vinho, música, natureza e desporto.

Por sua vez, o presidente da CIMBAL, António José Brito, considerou que a distinção representa “um momento histórico para a região” e um reconhecimento da identidade e da cultura do Baixo Alentejo.

O autarca salientou que o vinho é parte integrante da história e da paisagem da região, refletindo o trabalho de gerações de agricultores, enólogos e produtores. Para António José Brito, a Cidade Europeia do Vinho constitui uma oportunidade para reforçar a cooperação entre municípios, promover o enoturismo, valorizar os produtos locais e fortalecer a economia regional, ao mesmo tempo que afirma internacionalmente o território.

Também o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, José Santos, destacou a importância estratégica da iniciativa, defendendo que 2026 deve ser aproveitado para melhorar a qualidade da oferta turística e criar novas oportunidades económicas.

Segundo o responsável, a distinção não deve ser vista apenas como um programa de eventos, mas como uma oportunidade para gerar investimento, reforçar a internacionalização da região e potenciar a ligação entre vinho, turismo e animação cultural. “A Cidade Europeia do Vinho tem de ser também um pequeno choque na economia da região”, afirmou, acrescentando que o território tem sido promovido em vários mercados internacionais.

A encerrar as intervenções institucionais, o presidente da Associação de Municípios Portugueses do Vinho (AMPV), Luís Encarnação, considerou que o ano de 2026 deverá afirmar o Baixo Alentejo como um dos grandes territórios vitivinícolas europeus.

O responsável destacou que o objetivo da distinção é promover os territórios do vinho, dinamizar o enoturismo e dar maior visibilidade ao trabalho dos produtores, contribuindo para atrair visitantes e reforçar a notoriedade internacional dos vinhos portugueses.

A gala marcou assim o arranque oficial de um programa que se estenderá ao longo de todo o ano e que pretende afirmar o Baixo Alentejo como destino de referência no panorama vitivinícola europeu, envolvendo produtores, instituições e comunidades locais numa celebração do vinho, da cultura e da identidade do território.

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