De acordo com o levantamento, o Baixo Alentejo, que integra 13 concelhos e cerca de 115 mil habitantes, dispõe apenas de 16 meios de comunicação social considerados ativos e com produção noticiosa local relevante, o que corresponde a um rácio aproximado de um meio por cada 7.200 habitantes. A maioria dos concelhos da sub-região encontra-se classificada como deserto de notícias, semi-deserto ou território ameaçado, refletindo uma cobertura jornalística insuficiente ou inexistente.

No detalhe, o relatório identifica como desertos de notícias vários concelhos do distrito de Beja, onde não existe qualquer órgão de comunicação social com produção regular de notícias locais. Outros concelhos surgem em situação de semi-deserto ou como “ameaçados”, por dependerem de um único meio, frequentemente com recursos limitados ou cobertura pouco frequente. Apenas um número residual de municípios escapa a este cenário de fragilidade estrutural.

Os autores do estudo sublinham que esta realidade tem implicações diretas na vida democrática e cívica do território, reduzindo a capacidade de escrutínio do poder local, a visibilidade dos problemas e investimentos regionais e o acesso dos cidadãos a informação fiável e contextualizada. O Baixo Alentejo integra, assim, o grupo de sub-regiões onde a desertificação informativa acompanha fenómenos como a baixa densidade populacional, o envelhecimento demográfico e a menor atratividade económica.

Apesar do crescimento dos meios digitais a nível nacional, o relatório alerta que, em regiões como o Baixo Alentejo, a transição para o digital não tem sido suficiente para compensar o desaparecimento ou a fragilidade dos jornais impressos e das rádios locais, muitas vezes devido à falta de recursos humanos, financeiros e de infraestruturas.

O estudo conclui que, sem políticas públicas consistentes de apoio ao jornalismo de proximidade e sem modelos sustentáveis de financiamento, o risco de aprofundamento dos desertos de notícias no distrito de Beja e no Baixo Alentejo permanece elevado, com impactos duradouros na coesão territorial e na qualidade da democracia local.

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